Efeito Dunning-Kruger e a Síndrome do Impostor

Muito se fala sobre a síndrome do impostor, porém pouco temos visto sobre o outro lado da moeda que é o Efeito Dunning-Kruger.

Quantas pessoas você conhece que sabem tão pouco sobre um assunto mas se acham as maiorais, enquanto outras pessoas com muito conhecimento, sentem-se incapazes? Esses problemas são reais. Um deles podemos evitar com um pouco mais de humildade, no outro, com mais auto-confiança. Veja o vídeo que gravei para o meu instagram:

E esse vídeo tem uma continuação aqui, falando sobre as pessoas que usam a Síndrome do Impostor como bengala.

Contudo, mesmo falando que tem gente que usa isso como bengala, ainda existem muitos casos reais de quem sofre com isso, como nessa história que eu falei aqui.

Sobre feedback ‘negativo’

Dar um feedback negativo para alguém é difícil. Principalmente se você não pensar que o ‘negativo‘ na verdade deveria ser um feedback construtivo. Eu tenho a convicção de que se você mudar como você enxerga o feedback, ele vai ficar mais fácil.

O Milagre da Responsabilidade

Todos os chefes querem ter trabalhadores mais engajados mas nem todos estão dispostos a fazer sua própria parte para que isso aconteça. A maioria dos chefes, e estou usando essa palavra de propósito, só sabem empurrar trabalho, mas quero discutir nesse texto que delegar responsabilidades é muito mais vantajoso e acaba por desencadear um fenômeno que vou chamar de “O Milagre da Responsabilidade”. Quando você delega mais responsabilidade você tem trabalhadores mais engajados e que se sentem valorizados.

Trabalho versus Responsabilidade

Existe uma diferença entre delegar trabalho e responsabilidades. Quando você só empurra trabalho para alguém você cria facilmente uma atmosfera de serviço burocrático, onde tudo se resume a cumprir horas e entregar tarefas. Muitas empresas fazem isso e criam uma eterna sensação de ir “tocando com a barriga” sem ter profissionais engajados.

Porém, ao fazer isso, a empresa perde uma chance muito valiosa de inspirar quem está trabalhando com ela, afinal o que se quer são resultados, são profissionais autônomos e não somente tarefeiros. Tarefeiros vão embora, tarefeiros não crescem com a empresa, tarefeiros estão desmotivados. Queremos profissionais! Pessoas autônomas, engajadas em resolver problemas e gerarem valor para elas e para a empresa.

Para passar de empurrar tarefas para delegar responsabilidade, você precisa entregar uma missão e o contexto. Não é tão simples como parece. Isso depende de uma mudança de postura, de um posicionamento de líder que está ali para ajudar as pessoas a executarem seu melhor trabalho. É sair da alcunha de chefe. Para ser um bom líder muitas vezes é necessário relegar a “autoridade” atribuída ao cargo e dar autonomia para que as pessoas possam debater com você. Uma das principais características do líder é estimular o desenvolvimento de alguém. O líder deve entregar continuamente as ferramentas para que as pessoas se desenvolvam e resolvam os problemas

Responsabilidade engaja? 81 % das pessoas acreditam que sim, segundo enquete no meu Instagram. @ffreitasalves
Fiz uma pesquisa no meu instagram @ffreitasalves o que as pessoas achavam sobre o a responsabilidade gerar engajamento.

É sua obrigação como líder

Afinal, como líder, sua maior alavanca é potencializar as pessoas e as formas com que elas trabalham. Então dê responsabilidade, acompanhe o andamento, ajude seu liderado a vencer as barreiras e depois cobre os resultados. Você vai ver o milagre da responsabilidade acontecendo.

Não considere “perda de tempo” os minutos que você vai gastar explicando problemas e contextos para as pessoas. Você quer resultados e não tarefas feitas. Tarefas são o meio e não o fim.

E se você não estiver numa posição de liderança, mas concorda que as coisas precisam mudar, você precisa hackear o organograma.

PS: No fundo tudo isso se resume a ter responsabilidade sobre tudo aquilo que você consegue exercer alguma influência. Isso é o extreme ownership.

Com tecnologia a gente se acostuma

Muitas tecnologias que utilizamos hoje de forma banal pareciam estar longe pouco tempo atrás.

Tecnologia de reconhecimento facial #VRDemoNight

Conversando com um amigo, lembrei da época em que eu imprimia a documentação de coisas do trabalho para ir lendo nas duas horas de ônibus que enfrentava da USP para a minha casa. Lembro de ter lido a documentação inteira do Django assim. Nos dias que não dava pra ir sentado aproveitava para ouvir podcasts de inglês do ESLPOD que precisavam ser baixados no site e transferidos manualmente para um MP3 Player. Lembro como se fosse ontem de que nessa época a gente já sabia que a internet viria pra palma da mão de todo mundo, só não era para o nosso bico ainda. A tecnologia estava pronta, só era uma questão de tempo e dinheiro.

Um outro exemplo é o Instagram e o monte de funcionalidades que eles lançaram nos últimos anos. Faz apenas 6 anos que fui na sede da Unity em San Francisco para um meetup de Realidade Virtual. A primeira vez que tive contato com as tecnologias de mapeamento do rosto pra criar essas animações insanas usadas nos filtros. Só 6 anos. Hoje todo mundo tem na mão.

Treinamento Jedi com Oculus Rift

O que será diferente daqui a 6 anos? Quais outras tecnologias? Carros autônomos? Mais realidade aumentada? Mais Wearables? Acho que tudo isso e mais um pouco. Pode até parecer longe, mas é só questão de tempo e dinheiro.

PS: E a covid acelerou a transformação digital.

Brilliant Jerks – Tecnicamente excelentes, porém babacas

Você já trabalhou com algum Brilliant Jerk? Alguém tecnicamente excelente mas que era um babaca e piorava a cultura da empresa?
Imagino que a maioria das pessoas já passou por isso. Será que vale a pena ter alguém assim no time?

Novo conto de J.K. Rowling é uma biografia de Draco Malfoy | Exame
Draco Malfoy – Ele é um Brilliant Jerk ou eu

Eis é o famoso brilliant jerk. De nada adianta o talento dele se não souber trabalhar em equipe. O que foi e é fundamental para nossa evolução como espécie é nossa capacidade de poder colaborar em grandes grupos. Para alcançar resultados e ter uma empresa que cresce, a necessidade é a mesma.

Podemos até pensar em como funciona o processo científico hoje. Quantos cientistas você sabe o nome atualmente? Provavelmente poucos ou nenhum, e não precisa saber, pois é o trabalho colaborativo deles que vai gerar grandes resultados e isso tem sido muito mais eficaz do que gênios individuais trabalhando sozinhos por aí.

Acontece que ter alguém excelente mas que não compartilha a mesma visão dos demais é danoso para a organização e para o dia a dia do time. Tendemos a ser complacentes e achar que o problema gerado vai diluir com o tempo. Não vai.

Escolha bem suas lutas, escolha pessoas boas que vão levantar a moral do seu time e que aceitam discutir como pessoas civilizadas e não como donas da verdade.

PS1: Também não é por isso que você vai contratar um incompetente mas que é o amigão da galera.

PS2: Algumas empresas tem políticas claras de contratação para evitar brilliant jerks, o caso mais conhecido é o da Netflix, porém Microsoft e Atlassian também já se pronunciaram sobre isso.

O óbvio ululante para quem quer crescer na carreira de tecnologia

Tem uma pequena coisa que você precisa entender para ser um profissional de tecnologia melhor. É uma coisa óbvia que a grande maioria se esquece no dia a dia e depois não entende porque está demorando para evoluir como uma liderança técnica. Você precisa entender qual o objetivo da área técnica.

E não é só para liderança, mesmo um desenvolvedor no começo da carreira poderia crescer mais rápido se tivesse isso em mente.

O objetivo da área técnica é dar viabilidade para o negócio. Ponto!

O Poço e quando defecam em nós.. Óbvio. | by Sephiroth Computatrum | Medium

Tem que entender o negócio de verdade. Se interesse pelo problema a ser resolvido, traga alternativas, aprenda a negociar escopo, avalie quando dá pra entregar algo inacabado, mas com alguém operando no back-office, saiba quando poderia ou não comprar uma dívida técnica, enfim, tenha em mente sempre em como o resultado do seu trabalho vai impactar o negócio.

Entender isso faz toda a diferença para crescer mais rápido na carreira e para ser uma liderança técnica eficaz!

Publiquei esse texto ontem 15/Set/20 no meu Linkedin e depois usei os stories do Instagram para falar um pouco sobre casos desse tipo.

Me sigam por lá!

PS: Usei a famosa expressão do Nelson Rodrigues, “Óbvio ululante”, em homenagem a um brasileiro que era espetacular. Esse ano li “A Pátria de Chuteiras” que é uma coletânea de textos futebolísticos do Nelson Rodrigues e de lá podemos ver o quanto esse cara acreditou no brasileiro. Eu também acredito!

Corona vírus acelera transformação digital (Não é meme)

O meme é real. O corona vírus (Covid-19) é o responsável por acelerar a transformação digital nas empresas. Temos aqui uma pesquisa com CEOs realizada pela Fortune 500 que prova isso.

Dessa pesquisa com CEOs da lista da Fortune 500 dá pra tirar alguns tópicos bem interessantes

– O meme é real! 75% admite que a transformação digital acelerou nessa crise.
– Viagens de negócios nunca mais serão como antes.
– 50% dos líderes cortaram na própria carne.
– A maioria acredita que nunca mais vamos voltar a ter a força de trabalho no mesmo local como antes.
– Manter os funcionários seguros e produtivos tem sido a preocupação mais importante nesse período.

E a transformação digital também aconteceu no lado do consumidor com a penetração do e-commerce. Em 8 semanas o crescimento da penetração do e-commerce foi maior do que tinha sido nos últimos 10 anos.

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Também podemos ver a taxa total de crescimento do e-commerce e de vendas em e-commerce em 2020:

US Ecommerce Growth Rate
US Ecommerce Sales

Tentei achar mais dados sobre o Brasil, não encontrei, mas ainda achei mais algumas informações interessantes, como por exemplo o raking desses e-commerces nos Estados Unidos. Amazon está disparadamente na frente:

Culpa por estar descansando

Você passa o final de semana se culpando por estar descansando? 

Esse é um assunto que surgiu algumas vezes conversando com desenvolvedores na minha mentoria. A história é sempre parecida: Você tem pouco tempo durante a semana e no final de semana quando vai descansar ou se divertir, você pensa que deveria estar trabalhando ou estudando e se sente culpado.

Bart Bored | Capa twitter

Citando Yuval Harari no livro Homo Deus: “No mundo moderno, nós humanos tocamos o negócio. Por isso estamos sob constante pressão dia e noite”.  Essa pressão é normal, pois você sabe que é o grande responsável pelo seu sucesso e seu futuro, seja na carreira, na vida familiar, financeira, etc. Não dá pra terceirizar, é melhor aceitar que é difícil e fazer alguma coisa quanto a isso.


O que fazer? Planeje-se. E antes de inventar a desculpa de que “não adianta planejar minuto a minuto”, dê uma chance para o planejamento. Esse simples ato vai te dar muitos insights sobre o que você deveria ou não estar fazendo.

Pegue papel e caneta e escreva tudo que você gostaria de fazer, quais áreas da sua vida você precisa balancear, quanto tempo você gostaria de se dedicar para cada coisa e se planeje. Se você decidir que não vai usar o final de semana para esses objetivos então simplesmente fique em paz. Você vai ver que o problema não é estar se divertindo, é simplesmente estar com um monte de abas do Chrome em aberto na sua cabeça.

Descanso planejado não tem sentimento de culpa! Você só precisa estar OK com as escolhas que você fez para você. Se você não estiver confortável porque gostaria de estar investindo seu tempo em um negócio próprio, em um curso ou em uma atividade física, se planeje e execute.