Sobre feedback ‘negativo’

Dar um feedback negativo para alguém é difícil. Principalmente se você não pensar que o ‘negativo‘ na verdade deveria ser um feedback construtivo. Eu tenho a convicção de que se você mudar como você enxerga o feedback, ele vai ficar mais fácil.

Com tecnologia a gente se acostuma

Muitas tecnologias que utilizamos hoje de forma banal pareciam estar longe pouco tempo atrás.

Tecnologia de reconhecimento facial #VRDemoNight

Conversando com um amigo, lembrei da época em que eu imprimia a documentação de coisas do trabalho para ir lendo nas duas horas de ônibus que enfrentava da USP para a minha casa. Lembro de ter lido a documentação inteira do Django assim. Nos dias que não dava pra ir sentado aproveitava para ouvir podcasts de inglês do ESLPOD que precisavam ser baixados no site e transferidos manualmente para um MP3 Player. Lembro como se fosse ontem de que nessa época a gente já sabia que a internet viria pra palma da mão de todo mundo, só não era para o nosso bico ainda. A tecnologia estava pronta, só era uma questão de tempo e dinheiro.

Um outro exemplo é o Instagram e o monte de funcionalidades que eles lançaram nos últimos anos. Faz apenas 6 anos que fui na sede da Unity em San Francisco para um meetup de Realidade Virtual. A primeira vez que tive contato com as tecnologias de mapeamento do rosto pra criar essas animações insanas usadas nos filtros. Só 6 anos. Hoje todo mundo tem na mão.

Treinamento Jedi com Oculus Rift

O que será diferente daqui a 6 anos? Quais outras tecnologias? Carros autônomos? Mais realidade aumentada? Mais Wearables? Acho que tudo isso e mais um pouco. Pode até parecer longe, mas é só questão de tempo e dinheiro.

PS: E a covid acelerou a transformação digital.

Culpa por estar descansando

Você passa o final de semana se culpando por estar descansando? 

Esse é um assunto que surgiu algumas vezes conversando com desenvolvedores na minha mentoria. A história é sempre parecida: Você tem pouco tempo durante a semana e no final de semana quando vai descansar ou se divertir, você pensa que deveria estar trabalhando ou estudando e se sente culpado.

Bart Bored | Capa twitter

Citando Yuval Harari no livro Homo Deus: “No mundo moderno, nós humanos tocamos o negócio. Por isso estamos sob constante pressão dia e noite”.  Essa pressão é normal, pois você sabe que é o grande responsável pelo seu sucesso e seu futuro, seja na carreira, na vida familiar, financeira, etc. Não dá pra terceirizar, é melhor aceitar que é difícil e fazer alguma coisa quanto a isso.


O que fazer? Planeje-se. E antes de inventar a desculpa de que “não adianta planejar minuto a minuto”, dê uma chance para o planejamento. Esse simples ato vai te dar muitos insights sobre o que você deveria ou não estar fazendo.

Pegue papel e caneta e escreva tudo que você gostaria de fazer, quais áreas da sua vida você precisa balancear, quanto tempo você gostaria de se dedicar para cada coisa e se planeje. Se você decidir que não vai usar o final de semana para esses objetivos então simplesmente fique em paz. Você vai ver que o problema não é estar se divertindo, é simplesmente estar com um monte de abas do Chrome em aberto na sua cabeça.

Descanso planejado não tem sentimento de culpa! Você só precisa estar OK com as escolhas que você fez para você. Se você não estiver confortável porque gostaria de estar investindo seu tempo em um negócio próprio, em um curso ou em uma atividade física, se planeje e execute.


Hackeando o Organograma. Influenciando ativamente quem está acima de você

Essa semana li um texto interessantíssimo do meu amigo Muller Nascimento: Às vezes é a maçã e às vezes é o barril. O texto discute o que fazer quando o problema é quem toma as decisões. Isso não é simples e entendo que para a maioria das pessoas essa situação pareça insolúvel, mas não é. Hackeando o organograma, você pode liderar sua empresa, independentemente da posição que ocupa.

Minha sugestão aqui é que você assuma uma postura de liderança, sem se prender ao seu papel na empresa. Para isso, você vai precisar trabalhar em vários pontos ativamente. A maioria das pessoas vai fugir, ou achar que não vale o esforço, mas se você for uma das poucas pessoas a lutar terá aprendido muito no processo e poderá ser responsável por melhorar não só seu ambiente de trabalho, como a si mesmo e sairá dessa batalha um profissional muito mais capacitado e pronto para assumir posições mais difíceis.

Comunicação

Jeff Sutherland no seu livro Scrum, fala sobre a importância da saturação da comunicação para o funcionamento efetivo do time. É uma verdade dentro de um time de 5 ou 6 pessoas e continua sendo verdade para organizações inteiras, com centenas de colaboradores (ou maçãs 🍎 🍏, como chamou o Muller). Mas por quê ainda se fala tanto sobre a importância da comunicação ? Porque é sempre o primeiro problema pra resolver.

Para manter todo mundo na mesma página é que surgem as reuniões de alinhamento, planejamento, reuniões diárias (daily meetings), retrospectivas, etc. O único objetivo é compartilhar o máximo para que todos tenham contexto suficiente para tomar as melhores decisões. A boa comunicação e a saturação dela entre “líderes” e “liderados” é o caminho para uma relação mais harmoniosa e um trabalho mais efetivo.

Na prática: O que fazer quando seu líder não se comunica de maneira eficiente? Perguntas! Sempre que alguma coisa não estiver clara para você, você vai perguntar. Seu objetivo não é entender “Como fazer alguma coisa” ou “O que deve ser feito”. Seu objetivo primeiramente é entender o Objetivo por trás de qualquer tarefa. Entender o “Por quê” algo precisa ser feito vai te trazer a visão global de algo. Toda vez que não estiver claro, pergunte ativamente. Discuta os pontos que devem ser feitos, qual a melhor forma de fazê-los e quando algo não estiver claro para você como “por quê estamos usando a metodologia x ao invés de y?” ou “por que não tentamos fazer tal coisa”.

Fale com quem resolve

Falar com quem resolve é outro ponto que deve ser trabalhado se você quiser liderar de baixo para cima. Discuta abertamente os problemas da empresa com o seu chefe e não pelas costas para os seus pares. Falar com alguém que não tem o poder de mudar nada só vai soar como reclamação e vai contaminar o barril inteiro e ainda pode ter um efeito negativo sobre como os outros funcionários enxergam você. Se você levar isso para quem tem o poder de resolver, você estará ativamente buscando soluções.

Seja Humilde

Contudo, considere se você está sendo humilde. Eu sei o quão irritante pode ser ouvir isso, principalmente se você estiver de saco cheio com a sua empresa, porém ser humilde para considerar se o que está sendo feito tem sentido, ou se você tem o contexto completo para avaliar uma decisão é crucial para ser ouvido também. No livro, Extreme Ownership, Jocko Willink e Leif Babin explicam como o ego pode atrapalhar seu julgamento e sua tomada de decisões. Se você ouvir atenciosamente, maior será sua chance de entender melhor o cenário e com isso ter uma melhor base de argumentação, se necessário. No final de uma boa discussão os envolvidos vão sair melhores, entendendo mais os pontos um do outro. Mesmo que haja discordância, é mais fácil seguir por um caminho depois de entender quais são os trade-offs de cada alternativa.

Compartilhe Conhecimento

Uma outra estratégia que pode ser aplicada juntamente a todas as outras é compartilhar conhecimento. As diferentes visões para a tomada de decisão vem de diferentes repertórios. Nutra os demais membros do time com informações que você achou relevante para basear a sua visão. Indique textos, livros, podcasts, vídeos, ted talks, cursos e tudo que puder para seus líderes. As vezes um simples “Fulano, gostaria de discutir um texto com você”, pode ser suficiente para um aprendizado relevante na sua empresa. Ninguém sabe tudo e fomentar essas trocas só enriquece o ambiente e o aprendizado.

Vá embora, você não é uma árvore

Por fim, se a incompatibilidade de gênios é certa, não leve nada para o pessoal. Crie asas e voe para outro lugar. Foque nas coisas boas que você construiu e nos aprendizados que vai levar desta empresa para outra e vá atrás de algo melhor para você. Permanecer em um lugar que não tem nenhum sinal que vai dar certo pode te desmotivar e isso não prejudica só sua empresa, mas também as pessoas próximas (ninguém suporta reclamões) e principalmente sua imagem profissional, pois alguém desmotivado por um longo período pode ser visto como preguiçoso e/ou incapaz pelos colegas e refletir negativamente em futuras indicações.

Resumo

Algorítimo para hacker as organizações:

  1. Comunicação efetiva sempre! Pergunte até esclarecer pontos obscuros. Não assuma nada!
  2. Fale com quem pode resolver. Levar problemas para os seus pares não muda sua vida, só faz de você um bebê chorão ou uma matrona fofoqueira.
  3. Seja Humilde.
  4. Eduque quem estiver ao seu redor! Considere compartilhar com eles textos e livros sobre temas que acredita que eles não estão bem treinados. Essa é uma forma efetiva de feedback para liderar.
  5. Não leve nada para o lado pessoal. Muitas vezes temos que lidar com pessoas que não tem a mesma maturidade que temos. Se for o caso, bola pra frente

Vamos discutir?

Concordando ou não, deixe um comentário, eu realmente quero ouvir outras opiniões sobre esse assunto.

Tanto no pessoal quanto no profissional – Boas práticas do seu trabalho na vida cotidiana

Pedido de casamento em paris

Não é incomum ouvirmos histórias de pessoas que são bem sucedidas no trabalho mas sua vida pessoal é uma bagunça. Maus hábitos, sedentarismo, finanças descontroladas, não tem tempo pra nada e a culpa sempre recai sobre o trabalho.

Dependendo de como for sua rotina, pode ser que a culpa seja do trabalho, mas o mais provável é que a culpa seja sua mesmo. Se está cursando uma faculdade e trabalha 12 horas por dia e dorme pouco pode parecer que não cabe mais nada na sua vida, mas mesmo assim é possível melhorar algum aspecto.

Sempre gostei de estudar e usava isso como desculpa para muitas coisas quando era mais novo, inclusive para não estudar. Como fiz ensino médio e técnico ao mesmo tempo (um de manhã e o outro noturno) eu deixava algumas matérias do ensino médio de lado porque gostava mais dos assuntos de computação. Se fui mal em geografia logo me escorava mentalmente em estar indo bem no curso técnico e dizia pra mim mesmo que se estivesse apenas cursando o ensino médio, teria ido bem em geografia. É o velho e batido “quem quer dá um jeito e quem não quer dá uma desculpa”.

Esse mecanismo mental de compensação é natural do ser humano. No livro The Willpower Instinct, a professora de Standford Kelly McGonigal fala sobre como deixamos que um bom comportamento anterior seja uma desculpa para um mau comportamento no presente. Um fenômeno bem conhecido de quem está tentando emagrecer, logo depois de fazer um exercício acaba se dando de presente um rodízio de pizza. Mesmo que já esteja provado que é muuuito mais difícil emagrecer só fazendo exercícios.

Esse comportamento me acompanhou durante muitos anos. Sempre gostei de me ver como alguém que quer alimentar a mente com conteúdo interessante, estudando, tentando coisas novas e isso acabou sendo desculpa para nunca praticar esportes, por exemplo. Felizmente, tive a oportunidade de conhecer pessoas completas (Mente sã, corpo são). Parece que o dia dessas pessoas tem 40 horas. Elas trabalham, leem, praticam esportes, estudam, mantêm relacionamentos e tem amigos. Com certeza você conhece alguém assim também.

Mesmo assim, há 2 ou 3 anos estou querendo ser como uma dessas pessoas. Não só me dedicar no trabalho, bater metas, entregar resultados e projetos, mas também alcançar os meus resultados pessoais, bater as minhas próprias metas, melhorar em cada aspecto que eu puder melhorar. Pode parecer uma coisa de auto-ajuda e é. (Aliás, sempre desprezei o termo auto-ajuda, sempre me pareceu conversa para boi dormir, mas descobri que de cada livro, palestra ou TED Talk de auto-ajuda que eu assisto mesmo que tenha papo-furado terá algo útil para minha vida pessoal).

O que percebi é que muito das técnicas que usamos todos os dias no ambiente de trabalho para alcançar resultados são simplesmente esquecidas na nossa vida pessoal. Provavelmente sua empresa possui um planejamento, sabe quais são os objetivos, tem uma visão de longo prazo, tem valores, um budget e prioridades definidas. Mesmo que sua empresa não tenha tudo isso, você SABE que ela precisa ter. Por quê então a sua vida pessoal pode seguir dia após dia sem ter planos, metas, sem ter uma visão do que você quer para você e sem ter um orçamento para as áreas da sua vida?

1. Escreva um plano!

Um estudo que saiu no British Journal of Health Psychology fez um estudo com 3 grupos pedindo a cada grupo que fosse à academia pelas próximas 2 semanas. Ao primeiro grupo só foi feito o pedido. O segundo grupo além de ter recebido o pedido, também assistiram vídeos motivacionais (chamaram de grupo motivado). Já o terceiro grupo recebeu o pedido para ir a academia, assistiu os mesmos vídeos do grupo motivado e pediram que eles escrevessem a seguinte frase:

Durante a próxima semana eu vou praticar 20 minutos de atividade física vigorosamente na _____ (local) às __________ (horário)

Esse conceito é chamado de Implementation Intention (Intenção de implementação em tradução livre Fernandística). É basicamente quando você escreve as condições para terminar uma tarefa.

Os resultados foram :

38% do Grupo 1 compareceu à academia na próxima semana.

35% do Grupo 2 (Grupo Motivado)

91% do Grupo 3, o grupo que escreveu utilizando Implementation Intention.

Nunca subestime escrever um plano!

Anote no papel, no Evernote ou em qualquer lugar que você possa acessá-lo novamente depois.

2. Crie um sistema para atingir resultados

Somente focar em bater a meta é inútil. Não confie só na sua força de vontade para fazer você se mexer. Você precisa de um sistema que funcione para diminuir sua energia de ativação para realizar as tarefas até que elas se tornem um hábito.

Eu simplesmente não conseguia controlar o que comia ou bebia quando almoçava em restaurantes, assim resolvi que ia fazer marmitas para levar ao trabalho. Resolvi que ia preparar toda minha comida da semana aos domingos. Ao fazer dieta você começa a pensar que come todos os dias a mesma coisa e tudo vira motivo para ficar enjoado. O fato é que você não varia muito seus alimentos, mesmo quando não está fazendo dieta. Quando li isso no livro do Tim Ferris, The 4 hour body, percebi o quanto usei isso como desculpa para sair da dieta. Então resolvi ver uns vídeos no youtube sobre como preparar várias marmitas para a semana e voilá, cada vez menos falho em me alimentar bem na hora do almoço.

Criar um sistema serve para qualquer coisa, se você quer ler mais você precisa pensar que em determinado momento do seu dia ou da sua semana você vai precisar parar para ler. Se não separar esse tempo, você simplesmente não vai ler os livros que decidiu ler.

Na sua vida profissional você segue um sistema. Pode ser que você tenha que ligar para 10 clientes por dia, pode ser que você tenha que pesquisar 5 fornecedores para cada produto que você vai comprar, não importa. O sistema vai facilitar a sua vida.

3. Priorize

Você acordou 7h30 da manhã, foi no banheiro, levou seu celular, abriu o Facebook, deu uma scrollada, leu umas notícias, leu uns comentários e de repente são quase 9h00. Você já está atrasado, precisa tomar banho e começa seu dia naquela loucura para quando chegar em casa você entrar novamente nas redes sociais, olhar os grupos de WhatsApp, etc. Sua prioridade é essa merda de Facebook, simples assim. Desinstale ele do seu celular, assista menos TV a noite, leia menos jornal de manhã. Essa é a chave para criar tempo no seu dia. Se você gosta de postar coisas na sua rede social use o Hootsuite. Quer ler só o que saiu de interessante no jornal? Se inscreva em uma newsletter como o Canal Meio.

Muita gente acha, ou diz que se informa pelas redes sociais, quando na verdade as redes sociais e grupos estão é cheios de entretenimento e notícias irrelevantes. Aproveitar o tempo perdido nessas ferramentas é priorizar aquilo que você planejou. Acredite em mim, as notícias importantes, os acontecimentos e até mesmo os memes do momento vão chegar a você sem que você precise scrollar o seu Facebook por uma hora de manhã. Aproveite seu tempo no trânsito, arrumando a casa ou na esteira para ouvir Podcasts e aprender coisas novas, ouvir notícias ou ouvir um Audiobook.

Com certeza para ser bem sucedido na sua vida profissional você aprendeu a priorizar entre suas tarefas. Use isso na sua vida pessoal também.

4. Demita as pessoas tóxicas da sua vida

Já faz alguns anos que estou demitindo pessoas que não me acrescentam em nada na vida. Sabe aquela pessoa que quando você conversa com ela você se sente drenado? Pessoas que reclamam de tudo, ou reclamam dos outros, só falam de si, etc. Essas pessoas também tomam um tempo desnecessário da sua vida. Pessoas que em qualquer ambiente de trabalho seriam a maçã podre ou um fofoqueiro. Corte-as sem dó.

Mantendo somente amizade com pessoas interessantes você vai ver que pode aprender muito com elas. Até as notícias importantes que você deixou de ler para se dedicar a outra coisa chegarão a você através desse network bem selecionado de amigos que você vai manter.

5. Bônus: Meditação

Se você é um ateu, agnóstico ou cético pode ser que balance a cabeça ao ler sobre meditação, mas isso é cientificamente comprovado que melhora muito sua qualidade de vida. Não tem a ver com energia, com ki, com cosmo, com nada disso. Meditação é um exercício no qual você foca no agora, no seu corpo, na sua respiração e quando sua mente começa a viajar você percebe isso e volta para o que tinha que fazer. Isso vai melhorar sua produtividade, seu foco, sua resiliência e sua forma de lidar com suas emoções, afinal são partes de ser humano.

Se quiser melhorar tanto sua vida profissional quanto a pessoal comece a meditar. Já falei disso aqui no blog na retrospectiva do ano passado. E se depois de tentar achar que isso não é para você então pare uns minutos na sua manhã e escreva o que estiver na sua cabeça em um caderno. Prestar atenção em você é a importantíssimo!

Minha experiência pessoal

No começo de 2017 resolvi escrever um plano pessoal, pode chamar de resolução de ano novo, pode chamar do que quiser, mas o fato é que escrever o que eu queria para minha vida no ano passado foi extremamente importante para eu ter resultados na esfera pessoal.

Os objetivos que escrevi foram:

  • Chegar aos 88 Kg
  • Fazer atividade física uma vez a cada 3 dias ( ou 120 dias no ano)
  • Participar de uma corrida de 10 km
  • Fazer um curso de Machine Learning
  • Escrever pelo menos 6 posts no blog
  • Casar
  • Fazer uma viagem internacional
  • Fazer aulas de bateria
  • Tirar carteira de motorista
  • Fazer aulas de tênis
  • Economizar dinheiro
  • Ler 12 livros no ano

Todos os que marquei com fonte vermelha são os objetivos que não atingi. Todos os outros eu consegui, alguns até antes do tempo e fui capaz de dobrar a meta.

Lutei com meu peso nos últimos 10 anos, tentei por várias vezes praticar atividades físicas, mas sempre voltava para o sedentarismo. Muitas vezes usando a desculpa de que trabalho muito (50 a 60 horas por semana) e que não dá tempo para treinar. Em 2017 isso mudou. saí de 2016 que não fiz quase nenhuma atividade para 181 dias de atividade física em 2017. Bati os 120 dias em setembro e resolvi aumentar.

 

Para exercício considerei qualquer atividade física que fosse musculação ou aeróbica com 40 minutos de duração. Mesmo assim não cheguei aos 88 kg que planejara porque aprendi um pouco tarde como seguir uma dieta regrada, mas comecei o novo ano pesando 8 kg a menos que no ano anterior, com mais disposição e feliz em praticar atividades físicas diariamente.

 

O sucesso de ter atingido essa meta se deve muito a como eu a escrevi, que foi um pouco mais detalhada que as outras. Com minha meta financeira também fui bem mais específico, fiz um planejamento de como faria para diminuir minhas contas mensais e conseguir fazer minha viagem internacional e guardar dinheiro. Assim consegui no meio do ano ir para Nova York, Barcelona e Paris. Surgiu uma oportunidade boa para viajar com amigos e eu já estava me preparando financeiramente para poder viajar, por mais que não tivesse o plano inteiro pronto. A oportunidade aparece, se você estiver preparado vai poder aproveitar.

Uma coisa muito legal para mim foi conseguir ler os 12 livros. Nunca tinha lido tanto em um ano. Quando cheguei em outubro já tinha lido 8 livros mas achei que não conseguiria ler mais 4 até o final do ano. Achei que era muito! Bom, tive 2 conversas na mesma semana que me motivaram, uma com uma colega de trabalho que disse ler um livro por semana e outra com um colega que fiz no bar o HQBierman.  Comprei um Kindle com backlight para ler deitado antes de dormir, comecei a ir para a cama mais cedo e ler aos domingos e consegui. No último final de semana do ano eu consegui bater minha meta. Hoje me parece que 12 livros foi fácil, esse ano quero ler 16 livros.

Ler foi uma experiência ótima pra mim, foi uma conquista. Eu lembro de assistir uma TED Talk que o palestrante dizia que Líderes são Leitores (Leaders are Readers). Ler é fazer o download da experiência de outra pessoa para a sua cabeça. E não só os livros técnicos são bons para isso, mas qualquer um. Mesmo os livros que não gostei me ensinaram alguma coisa. Esses são os livros que li esse ano:

Quanto à outras metas, muitas não consegui bater por que foram metas idiotas. Jeff Sutherland criador do Scrum diz: Planejar é útil. Seguir cegamente os planos é estupidez. Quando eu decidi que correria 10 km , simplesmente não pensei que estou com condromalacia patelar e que não posso correr antes de ter perdido bastante peso e fortalecido os músculos das pernas. Também não senti tanta vontade de fazer aulas de tênis, simplesmente não quis arranjar tempo pra fazer isso, musculação e bike aos fins de semana estavam sendo legais o bastante pra mim. Até cheguei a procurar por aulas de bateria, mas quando vi os preços vi que não estava com tanta vontade assim.

Das outras metas, apesar de não tê-las concluído elas andaram e isso é ótimo! Estou matriculado em uma auto-escola, já tinha começado a fazer o curso de machine learning ( e assim acabei fazendo um outro curso de gerenciamento de projetos no Coursera)

Quanto ao casamento ainda não saiu, mas pude fazer um pedido à minha noiva em Paris:

Links interessantes:

Forget About Setting Goals. Focus on This Instead.

Ver no Medium.com

 

Por que não produzimos mais Ronaldinhos? Ou por trás dos highlights e a importância do feedback pra se tornar melhor.

Todos os dias milhares de crianças jogam bola pelas ruas. Correm o dia todo e só param quando suas mães gritam para elas irem pra casa pra comer. Se tem tanta gente praticando e treinando porque não aparecem mais Ronaldinhos, por aí?

Por trás dos Highlights

Hoje li esse lindo texto do Ronaldinho.  É uma carta pra ele mesmo quando criança em Porto Alegre.
Quando vemos um texto desses a gente presta muita atenção nos highlights. O momento em que ele é chamado pra jogar futebol no grêmio, depois pra jogar na sub 17, seleção brasileira, PSG, Barcelona, etc.  Mas aí no meio desse texto, por trás de todos esses highlights dá pra perceber o quanto esse cara treinou a vida toda. Desde criança jogava bola incessantemente e sempre com bons mentores.
Ronaldinho gaúcho e seu irmão Roberto
Pessoas falam sobre talento, dom ou predestinação, mas isso é superestimado. Alguém pode ter geneticamente mais facilidade para alguma coisa, sim, isso é um fato, vide Michael Phelps porém pra se tornar o melhor é só com muito treino e feedback o tempo todo.
A construção da carreira dessas pessoas de sucesso é diária. É como num filme sobre empreendedorismo, o cara tem uma ideia, forma uma equipe e eles começam a trabalhar juntos. Depois sempre vem aquela cena em fast motion, que mostra dias e noites passando enquanto eles rabiscam a lousa, mexem no computador, etc ¹… E essa é a parte importante da trajetória, todo esse trabalho feito. Isso não é glamouroso o bastante pra entrar no filme, mas é isso que proporciona o sucesso: trabalho ou treino
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Por que não produzimos mais Ronaldinhos?
Se a prática / treino são tão importantes para garantir o sucesso, então porque não são todos os meninos que jogam bola o dia todo pelas ruas do Brasil que se tornam Ronaldinhos?

ronaldinho-driblando

 

Feedback: Uma breve história sobre MecFlu

Em 2007, no segundo ano de engenharia da Poli, eu cursei uma das matérias mais difíceis que fiz: Mecânica dos Fluidos. Muitos alunos já tinha me alertado que essa matéria era um terror. Que era tricky, que se não se dedicasse bastante não teria como passar.

Eu já não vinha de um semestre muito bom e resolvi estudar MecFlu (como chamávamos). Sempre fui do tipo autodidata e se o professor não for ultra didático tendo a acreditar que aprendo melhor com o livro do que na aula. Então peguei um dos livros recomendados, e li os capítulos relacionados à P1 (primeira prova), montei meu resumo, achei que tinha entendido e fiz todos os exercícios.

No dia da P1, tínhamos 1h40 pra resolver 4 exercícios. Resolvi todos e no final fui conversar com meus amigos…todos chorando as pitangas que tinham ido muito mal e eu não… falei pra eles que achava que tinha tirado um dez, que consegui resolver tudo sem muita dificuldade. Semanas depois saiu o resultado…meus amigos tinham ido mal como esperavam… notas: 3 ….. 2.5 …. 1 e eu tirei um grande e redondo ZERO. 

 

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A importância do feedback pra se tornar melhor

Como eu tirei esse zero tendo estudado e fazendo os exercícios? O livro não tinha respostas. Fiz os exercícios e considerei que os resultados estavam certos, logo não tive o feedback necessário pra ver o que eu precisava melhorar. O único feedback que tive foi o da prova. Já era tarde demais.

É esse o motivo pelo qual não produzimos mais Ronaldinhos. Não adianta você só passar o dia jogando futebol, você precisa ter o feedback se o que você está fazendo está certo. Também para aprender os atalhos e os pontos onde você pode melhorar.

Tem um episódio do Freakonomics Radio ótimo sobre isso, chama-se How to become Great at Just About Anything (tradução livre: Como se tornar FODA em praticamente tudo). Nesse episódio eles debatem as ideias do Malcolm Gladwell, autor de Outliers, (Aquele da regra das 10 mil horas) com os estudos do psicólogo Anders Ericsson, sobre como as pessoas adquirem expertise.

Um das coisas que mais me chamou a atenção foi o que hoje para você se classificar para a Maratona de Boston você precisa correr o equivalente ao de atletas das primeiras Olimpíadas. Em todas as olimpíadas quebramos recordes e em todos os campos parece que alcançamos mais em menos tempo. As pessoas aprendem mais, mais rapidamente e os humanos do futuro poderão ser mais rápidos que Bolt ou Phelps.

 

E os celeiro de Talentos?

Sabe aquela ideia de que muitos talentos vem do mesmo lugar?

  • O Barcelona é um celeiro de craques
  • O Vale do Silício é um celeiro de startups
  • A China é um celeiro de jogadores de ping-pong
  • e por aí vai…

Não é mágica. Cada um desses lugares tem um monte de pessoas (doravante mentores) com expertise pra que os ingressantes consigam apreender os truques para se tornarem melhores mais rapidamente e também possuem os recursos pra que as pessoas se desenvolvam.

Você pode aprender muita coisa sozinho, mas o feedback é super importante. Uma coisa boa de aprender programação é que no começo você pode evoluir muito rápido sozinho, afinal você escreve o software e na hora sabe se ele funcionou ou não. Rapidamente você vai aprendendo o que funciona e o que não funciona.

Claro que uma hora você vai precisar aprender formas mais fáceis e rápidas de programar. Trabalhando com outras pessoas você vai evoluir muito mais rápido. Por isso que em equipes que usam Code Review os programadores menos experientes evoluem melhor. Mesma coisa para quem contribui em projetos open source. Não necessariamente o mentor é um mentor de fato, mas alguém ou ferramenta que te mostre onde você errou e qual o melhor jeito de se fazer o certo.

mentor do he-man

Na história de hoje você aprendeu porque apesar de um monte de gente jogar bola todo dia nem todas viram o Ronaldinho (não pude evitar!!!)

 

¹ Essa referência não é minha, li uma vez em algum lugar que não consegui encontrar…não sei se foi em um livro, talvez tenha sido no Lean Startup, já que cito em todos os meus posts, huahuahua

O que aprendi gerenciando 3 produtos em 2016

Há exatamente um ano eu fiz um balanço sobre como foi o meu 2015 e como saí de uma fase de total esgotamento para a empolgação com uma empresa que estava nascendo. Atendendo a pedidos (Meu pai queria ler a continuação, huahuahua) resolvi contar de forma breve(?) como foi esse ano pra mim, pra minha carreira e o que aprendi gerenciando 3 produtos diferentes na mesma empresa.

Sobre os Desafios e Conquistas:

No ano passado(2015), consegui entregar o LegalNote. Começou pequeno, como deveria ser, afinal era só um MVP e precisávamos validar se existia mercado pra ele, se os advogados teriam interesse em um produto minimalista para controle de processos. Diversas vezes aplicamos os brilhantes métodos do Lean Startup do Eric Ries e quando se fala de Lean Startup necessariamente se fala do ciclo Build – Measure – Learn (tradução livre: Construir – Medir – Aprender)

Rapidamente aprendemos que nossos clientes precisavam que nós expandíssemos nossos robôs (doravante crawlers) para todos os tribunais do Brasil e todos os diários oficiais.

Como missão dada é missão cumprida, começamos o ano com a difícil tarefa de expandir nossos horizontes sobre fontes de informação pública. Se você já precisou algum dia buscar qualquer coisa que seja em um órgão público deve ter xingado o site algumas vezes. Pois é, o desafio de acessar sites do governo para estruturar e dar inteligência àquelas informações, tentar buscar padrões, trabalhar com dados nada estruturados é uma dor de cabeça. Se você quer que as coisas fiquem fáceis para o seu cliente, elas terão que ser difíceis pra você. Muitas partes em movimento, sites que podem mudar de uma hora pra outra e quebrar o seu crawler, mudança de padrões que podem quebrar seus RegEx, etc… Mas conseguimos. Nossa primeira fase de expansão sobre tribunais e diários oficiais foi um sucesso…

Mas com grandes poderes vem grandes responsabilidades. Ao longo desses anos trabalhando com startups me aprimorei em uma técnica pra atrair clientes com SEO. Usei pela primeira vez em 2013 e naquela época conseguimos alcançar clientes sem verba de marketing. Agora em 2016 usamos a mesma técnica e o resultado veio muito rápido. Muitos clientes e muitos processos.  Para vocês terem uma ideia, essa é a imagem que foi postada no Blog do LegalNote com os números da empresa em 2016:

O que aprendi gerenciando 3 produtos em 2016 - Fernando Alves

E pra todo número grande que você vê aí, tivemos um desafio de infra-estrutura. Desafios de escalabilidade, provisionamento de instâncias, controle e gerenciamento de filas, performance de banco de dados, monitoramento, performance de buscas, milhões de tasks, alta carga de emails e mais…

O bom é que todo problema traz consigo uma oportunidade pra aprender. Aprendi muito esse ano, muito mesmo, muito sobre performance, sobre escalabilidade, sobre AWS e principalmente sobre gerenciamento. Quando você é um chefe muito técnico existe uma grande possibilidade de você focar em desenvolver, afinal você é um cara mão-na-massa, mas na maioria das vezes isso não é o melhor pra você, nem para sua empresa. Você como gestor precisa o tempo todo facilitar para que as pessoas ao seu redor se desenvolvam. E o grupo sempre vai chegar mais longe que você, não importa quão bom você seja. Você precisa usar o seu conhecimento para alavancar a produtividade e o conhecimento das outras pessoas. Elas precisam melhorar o tempo todo e você também (Por isso fiquei emocionado ao ver a retrospectiva de final de ano de um cara brilhante que trabalha com a gente e ter lido a retrospectiva dele do ano passado)

Facilitar para que as pessoas se desenvolvam envolve:

  • Aumentar gradualmente o desafio que elas devem resolver
  • Estar disponível para conversar e tirar dúvidas
  • Se livrar dos impedimentos
  • Ouvir muito
  • etc

Só o que tenho aprendido como gestor dá mais alguns posts que prometo escrever esse ano.

Voltando ao ciclo, junto ao crescimento do LegalNote nós lançamos o Diligeiro. Primeiro a API ficou pronta, depois veio o lançamento do aplicativo Android, do WebApp e no segundo semestre lançamos o app para iOS

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Almoço de lançamento do Diligeiro para iOS

Produto diferente, desafios diferentes. Logo aprendemos que os usuários queriam um chat in-app. Que foi a primeira feature a ser desenvolvida com o app já em funcionamento. Ficou tão legal, que outro dia mostrando para um pessoal no DevBeers tive que ouvir um “que é isso? é o Whatsapp?”

E foi através do Diligeiro que tive uma das minhas experiências mais gostosas como empreendedor. Há alguns meses precisei ir para Belo Horizonte participar de uma audiência. E conhecem aquela frase americana: Eat your own dog food, então a advogada que ia participar da audiência comigo na cidade foi contratada pelo aplicativo. Tudo correu bem, fomos à audiência e depois de sair do fórum a advogada me disse que estava praticamente só trabalhando como correspondente e utilizava o Diligeiro pra trabalhar. ( Explicando sucintamente: O Diligeiro é o Uber pra correspondentes jurídicos). Um mês depois recebi a decisão do Juiz através do LegalNote. Viagem completa dentro dos produtos da própria empresa, levantei comemorei, todo mundo bateu palma e a sensação que eu tive foi de uma vitória muito grande. E o diligeiro tem novidades por aí…

Caramba, ainda não parei de escrever…mas vamos lá. Dezenas de Milhares de pessoas físicas começaram a querer usar nossa ferramenta para advogados! Então porque não dar a essas pessoas o que elas querem?

gerenciando-produtos-shut up and take my money

Assim começamos a desenvolver um novo produto e lançamos agora no final do ano. É o SeuProcesso.com. Um court monitor para pessoa física.

Nossa corujinha

Ano que vem vocês ouvirão eu falar muito mais sobre o SeuProcesso.com

E como nem só de trabalho viverá o homem, pessoalmente esse ano foi incrível pra mim. Fiz o meu primeiro mergulho e foi uma das experiências mais extraordinárias que já tive. Viajei sozinho, fiz longas trilhas só ouvindo a natureza, fui em muitos parques, nadei, cantei, dormi, chorei. Li um livro que mudou minha vida (The Will Power Instinct) pq foi através dele que comecei a praticar meditação diariamente e o simples fato de sentar e respirar me deixa mais tranquilo, mais consciente de como estou me sentindo e olha que a vida inteira eu achava que isso era bullshit, só tentei dar uma chance ao HeadSpace pra começar a gostar e sentir diferença na minha vida. E o principal de tudo…foi o ano do Guanciale

Muito obrigado, 2017 tem mais!

Só sai da rotina quem tem uma

Semana que vem faço 31 anos.
Sempre que estou perto do meu aniversário fico nostálgico e começo a fazer uma retrospectiva da minha vida e lembrei que quando eu tinha 20 anos eu odiava qualquer rotina.

A geração do bullshit

A minha geração passou a adolescência ouvindo um monte de bullshit sobre ela mesma. Que merece tudo, que não pode ser criticada, que é especial, que todo mundo pode ser nômade digital feliz trabalhando com o que quiser o tempo todo e de onde quiser e mais um monte de coisas que transformaram essa geração em uma tremenda quebra de promessas (como diz meu amigo @dpassarini)

 

Bob Esponja - Bullshit

Pra não ficar tão ruim pra esse lado, acho que a geração seguinte é um pouco pior que precisa de reunião de pais na faculdade!

A religião da juventude

Virou uma religião, cuja divindade é o Eu e o mote da sagrada escritura é Você pode o que você quiser é só querer muito, provavelmente tirado de algum filme da Xuxa com os Trapalhões. A única coisa que pode te atrapalhar no caminho são os invejosos, que como uma força demoníaca não concordam com você!

E eu?

 

Eu não era diferente dos outros, achava que era mas era igualzinho e é capaz que eu ainda seja…

Corolário: eu odiava rotinas. Achava que rotinas eram feitas pra quem tinha preguiça de pensar, que quem fazia sempre a mesma coisa era um rato numa rodinha, que pessoas especiais tinham horários especiais.

O problema de não ter rotina é que você não tem controle. Tem dificuldade de planejar seu trabalho, seus estudos e até mesmo suas ideias. Você procrastina mais e sempre que eu decidia sentar a bunda na cadeira e fazer alguma coisa sempre começava pelo planejamento. Quando acabava de planejar me dava por satisfeito, como se já tivesse feito alguma coisa e na verdade, não tinha feito absolutamente nada.

Esses problemas acabam criando uma ansiedade gigantesca e me deixavam doente de verdade: manchas na pele, labirintite, perda de audição e ataques de pânico. Até que travei, perdi a vontade de fazer tudo, já que não estava conseguindo fazer nada. Perdi praticamente um semestre inteiro da faculdade e essa paralisia destruiu tudo que eu achava que sabia sobre mim.

A recuperação

Aquela imagem que eu tinha de mim não servia pra mais nada. Não era especial, porra nenhuma, mal conseguia lidar com a ansiedade e as frustrações. Tive que aprender continuamente a ser humilde.

E o que humildade tem a ver com rotina? Pra mim tudo. Pra você construir uma rotina você precisa se forçar muitas vezes a fazer coisas que você não quer, em momentos que você não quer. Fazer coisas chatas sem pensar que você é bom demais pra aquilo. Tem que meter a mão na massa de fato. Reconhecer que pra chegar em algum lugar você tem que começar do zero.

 

Enfim, o assunto

A rotina é a melhor forma pra você alcançar algum objetivo e ela não precisa ser uma coisa maçante e inflexível. A rotina é só a sua maneira de fazer alguma coisa normalmente. Não precisa ser a minha rotina, nem a rotina do Abilio Diniz. A rotina só precisa de limites e metas impostas por você mesmo. Pode até ser uma coisa pequena como ligar pra 10 clientes por dia, responder 40 perguntas no MercadoLivre ou escrever uma página de um livro por dia.

Não precisa ser chato e entediante. Só não pode dar aquela roubadinha na rotina e deixar ela livre demais a ponto que você consiga dar desculpas pra si mesmo.

Nunca tinha parado pra pensar nisso até ontem. Eu tenho uma rotina mas nunca tinha atribuído a ela várias coisas que alcancei como aprender inglês sozinho, criar vários produtos, trabalhar em home office e muitas outras coisas que seriam impossíveis sem uma rotina.

Um livro que estou lendo me ajudou bastante a enxergar isso: The Willpower Instinct. Nesse livro a autora, que é professora de Stanford, mostra como a rotina, entre outras coisas, permite que você use melhor seu córtex pré-frontal, justamente a área do cérebro que é responsável pelo seu auto-controle.

A rotina não é a única forma de alcançar objetivos, tem gente que consegue criar as coisas de forma caótica. Mas isso funciona pra todo mundo? e pra você? Essa é uma boa pergunta pra se fazer antes de descartar a rotina, como o Fernandinho de 20 anos…

Arnold…. and his creepy smile

Saia da Rotina

Sempre ouvimos isso: “Saia da Rotina”, “Pense fora da caixa”, “Mude pra variar”, etc… para todas essas coisas se pressupõe que você tenha uma rotina. É uma delícia sair da rotina, justamente porque existe a rotina. Quem não gosta de tirar um dia na semana pra ir num barzinho com os amigos? Se o barzinho fosse todo dia o dia inteiro e você não trabalha em bar seria um problema e não uma coisa agradável. Todas essas coisas de sair da rotina e pensar fora da caixa são tão cliché, tão lugar comum e é isso o que mais vemos por aí, é a parte gostosa da semana e do tempo presente…mas pra ter a parte legal na qual você se visualiza no futuro é preciso justamente a rotina…