O Milagre da Responsabilidade

Todos os chefes querem ter trabalhadores mais engajados mas nem todos estão dispostos a fazer sua própria parte para que isso aconteça. A maioria dos chefes, e estou usando essa palavra de propósito, só sabem empurrar trabalho, mas quero discutir nesse texto que delegar responsabilidades é muito mais vantajoso e acaba por desencadear um fenômeno que vou chamar de “O Milagre da Responsabilidade”. Quando você delega mais responsabilidade você tem trabalhadores mais engajados e que se sentem valorizados.

Trabalho versus Responsabilidade

Existe uma diferença entre delegar trabalho e responsabilidades. Quando você só empurra trabalho para alguém você cria facilmente uma atmosfera de serviço burocrático, onde tudo se resume a cumprir horas e entregar tarefas. Muitas empresas fazem isso e criam uma eterna sensação de ir “tocando com a barriga” sem ter profissionais engajados.

Porém, ao fazer isso, a empresa perde uma chance muito valiosa de inspirar quem está trabalhando com ela, afinal o que se quer são resultados, são profissionais autônomos e não somente tarefeiros. Tarefeiros vão embora, tarefeiros não crescem com a empresa, tarefeiros estão desmotivados. Queremos profissionais! Pessoas autônomas, engajadas em resolver problemas e gerarem valor para elas e para a empresa.

Para passar de empurrar tarefas para delegar responsabilidade, você precisa entregar uma missão e o contexto. Não é tão simples como parece. Isso depende de uma mudança de postura, de um posicionamento de líder que está ali para ajudar as pessoas a executarem seu melhor trabalho. É sair da alcunha de chefe. Para ser um bom líder muitas vezes é necessário relegar a “autoridade” atribuída ao cargo e dar autonomia para que as pessoas possam debater com você. Uma das principais características do líder é estimular o desenvolvimento de alguém. O líder deve entregar continuamente as ferramentas para que as pessoas se desenvolvam e resolvam os problemas

Responsabilidade engaja? 81 % das pessoas acreditam que sim, segundo enquete no meu Instagram. @ffreitasalves
Fiz uma pesquisa no meu instagram @ffreitasalves o que as pessoas achavam sobre o a responsabilidade gerar engajamento.

É sua obrigação como líder

Afinal, como líder, sua maior alavanca é potencializar as pessoas e as formas com que elas trabalham. Então dê responsabilidade, acompanhe o andamento, ajude seu liderado a vencer as barreiras e depois cobre os resultados. Você vai ver o milagre da responsabilidade acontecendo.

Não considere “perda de tempo” os minutos que você vai gastar explicando problemas e contextos para as pessoas. Você quer resultados e não tarefas feitas. Tarefas são o meio e não o fim.

E se você não estiver numa posição de liderança, mas concorda que as coisas precisam mudar, você precisa hackear o organograma.

PS: No fundo tudo isso se resume a ter responsabilidade sobre tudo aquilo que você consegue exercer alguma influência. Isso é o extreme ownership.

Com tecnologia a gente se acostuma

Muitas tecnologias que utilizamos hoje de forma banal pareciam estar longe pouco tempo atrás.

Tecnologia de reconhecimento facial #VRDemoNight

Conversando com um amigo, lembrei da época em que eu imprimia a documentação de coisas do trabalho para ir lendo nas duas horas de ônibus que enfrentava da USP para a minha casa. Lembro de ter lido a documentação inteira do Django assim. Nos dias que não dava pra ir sentado aproveitava para ouvir podcasts de inglês do ESLPOD que precisavam ser baixados no site e transferidos manualmente para um MP3 Player. Lembro como se fosse ontem de que nessa época a gente já sabia que a internet viria pra palma da mão de todo mundo, só não era para o nosso bico ainda. A tecnologia estava pronta, só era uma questão de tempo e dinheiro.

Um outro exemplo é o Instagram e o monte de funcionalidades que eles lançaram nos últimos anos. Faz apenas 6 anos que fui na sede da Unity em San Francisco para um meetup de Realidade Virtual. A primeira vez que tive contato com as tecnologias de mapeamento do rosto pra criar essas animações insanas usadas nos filtros. Só 6 anos. Hoje todo mundo tem na mão.

Treinamento Jedi com Oculus Rift

O que será diferente daqui a 6 anos? Quais outras tecnologias? Carros autônomos? Mais realidade aumentada? Mais Wearables? Acho que tudo isso e mais um pouco. Pode até parecer longe, mas é só questão de tempo e dinheiro.

PS: E a covid acelerou a transformação digital.

O óbvio ululante para quem quer crescer na carreira de tecnologia

Tem uma pequena coisa que você precisa entender para ser um profissional de tecnologia melhor. É uma coisa óbvia que a grande maioria se esquece no dia a dia e depois não entende porque está demorando para evoluir como uma liderança técnica. Você precisa entender qual o objetivo da área técnica.

E não é só para liderança, mesmo um desenvolvedor no começo da carreira poderia crescer mais rápido se tivesse isso em mente.

O objetivo da área técnica é dar viabilidade para o negócio. Ponto!

O Poço e quando defecam em nós.. Óbvio. | by Sephiroth Computatrum | Medium

Tem que entender o negócio de verdade. Se interesse pelo problema a ser resolvido, traga alternativas, aprenda a negociar escopo, avalie quando dá pra entregar algo inacabado, mas com alguém operando no back-office, saiba quando poderia ou não comprar uma dívida técnica, enfim, tenha em mente sempre em como o resultado do seu trabalho vai impactar o negócio.

Entender isso faz toda a diferença para crescer mais rápido na carreira e para ser uma liderança técnica eficaz!

Publiquei esse texto ontem 15/Set/20 no meu Linkedin e depois usei os stories do Instagram para falar um pouco sobre casos desse tipo.

Me sigam por lá!

PS: Usei a famosa expressão do Nelson Rodrigues, “Óbvio ululante”, em homenagem a um brasileiro que era espetacular. Esse ano li “A Pátria de Chuteiras” que é uma coletânea de textos futebolísticos do Nelson Rodrigues e de lá podemos ver o quanto esse cara acreditou no brasileiro. Eu também acredito!

Corona vírus acelera transformação digital (Não é meme)

O meme é real. O corona vírus (Covid-19) é o responsável por acelerar a transformação digital nas empresas. Temos aqui uma pesquisa com CEOs realizada pela Fortune 500 que prova isso.

Dessa pesquisa com CEOs da lista da Fortune 500 dá pra tirar alguns tópicos bem interessantes

– O meme é real! 75% admite que a transformação digital acelerou nessa crise.
– Viagens de negócios nunca mais serão como antes.
– 50% dos líderes cortaram na própria carne.
– A maioria acredita que nunca mais vamos voltar a ter a força de trabalho no mesmo local como antes.
– Manter os funcionários seguros e produtivos tem sido a preocupação mais importante nesse período.

E a transformação digital também aconteceu no lado do consumidor com a penetração do e-commerce. Em 8 semanas o crescimento da penetração do e-commerce foi maior do que tinha sido nos últimos 10 anos.

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O que buscamos na crise?

pães

Li uma matéria no G1 comentando sobre o crescimento das buscas online para alguns produtos no período da quarentena.

Buscas de supermercado pela internet, equipamentos de ginástica e periféricos de computador subiram vertiginosamente. Só como exemplo, álcool em gel cresceu 983%. Anilhas de academia, 937%.

Claro que existem um monte de outros produtos ali que em um exercício mental você conseguiria adivinhar que cresceriam também como televisões, webcams, headsets e até computadores (já que o Home Office virou realidade para 23% das pessoas, contra 0,2% poucos tempo atrás).

Fiquei curioso e quis fazer minha própria pesquisa, imaginando o que poderia gerar maior interesse nesse momento de crise. Estou colocando os resultados abaixo:

Resolvi utilizar o Google Trends para ter uma ideia de como estamos buscando alguns termos no Brasil. A primeira curiosidade que tive foi de saber se estamos buscando mais por “comparadores de preço”. Imaginei que já que a busca é online, comparar preços seria mais fácil através de uma ferramenta. Além disso, a matéria do G1 aponta o Buscapé como fornecedor dos dados.

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Google trends comparando resultados para buscapé, zoom e bondfaro

Inicialmente, tomei um susto! O único buscador que eu uso é o Buscapé, porém lembrei que existiam outros dois: o Zoom e o BondFaro. Acontece que eles nem existem mais (pelo menos ambos os sites estavam com erro 504 no momento em que escrevo este artigo) e Zoom é o mesmo nome de uma ferramenta de videoconferência e por isso temos esse boom de interesse bem no período da quarentena.

Deixando só o Buscapé, aparentemente nada mudou na quarentena e o pico foi na Black Friday:

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Google Trends com resultados de busca para buscapé

Depois pensei em outras duas hipóteses:

  1. Durante a quarentena as pessoas procuram mais por Cursos Online.
  2. E a busca por Jogos Online também aumenta durante a quarentena.

Curiosamente, o interesse em Cursos Online sempre foi menor do que por Jogos Online, mas desde meados de Março, ambos cresceram muito e o interesse em buscas por Cursos ultrapassou o interesse em Jogos:

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Google Trendfs com resultados de busca para Cursos Online e Jogos Online

Os cursos que tem sido mais buscados são os “gratuitos” e a busca por cursos gratuitos em específico da FGV e os de desenho da Faber Castell estão crescendo.

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Tabela do Google Trends para Queries relacionadas a Cursos

E só para ter certeza que as pessoas estão ficando em casa, resolvi comparar com as buscas por bares, cinemas e restaurantes e constatei que houve uma queda bem acentuada em março:

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Google Trends com resultados de busca para Restaurante, Bar e Cinema

Fora isso, o próprio Google Trends deixa vários insights de buscas que vem crescendo. Obviamente, a grande maioria delas é relacionada ao COVID-19, à crise e a informações de como conseguir ganhar o benefício do governo. Contudo, um dos insights me chamou muita atenção:

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Google Trends com resultados de busca para Como Fazer Pão

O interesse em “Como Fazer Pão” dobrou.

E disso tirei um monte de outras dúvidas que gostaria do seu input:

  • Será que o interesse por cursos online se mantém depois da crise?
  • Que tipo de negócios poderiam nascer de novos interesses das pessoas?
  • Assinatura de entrega de pães?
  • Assinatura de ingredientes para fazer pão em casa?
  • Será que depois da crise as pessoas continuam a fazer seus pães ou voltam para as padarias?

Enfim, para cada pergunta vai surgir uma outra pergunta, mas a reflexão que eu quero deixar é exatamente como descobrir o que tem potencial para crescer durante a crise?

Hackeando o Organograma. Influenciando ativamente quem está acima de você

Essa semana li um texto interessantíssimo do meu amigo Muller Nascimento: Às vezes é a maçã e às vezes é o barril. O texto discute o que fazer quando o problema é quem toma as decisões. Isso não é simples e entendo que para a maioria das pessoas essa situação pareça insolúvel, mas não é. Hackeando o organograma, você pode liderar sua empresa, independentemente da posição que ocupa.

Minha sugestão aqui é que você assuma uma postura de liderança, sem se prender ao seu papel na empresa. Para isso, você vai precisar trabalhar em vários pontos ativamente. A maioria das pessoas vai fugir, ou achar que não vale o esforço, mas se você for uma das poucas pessoas a lutar terá aprendido muito no processo e poderá ser responsável por melhorar não só seu ambiente de trabalho, como a si mesmo e sairá dessa batalha um profissional muito mais capacitado e pronto para assumir posições mais difíceis.

Comunicação

Jeff Sutherland no seu livro Scrum, fala sobre a importância da saturação da comunicação para o funcionamento efetivo do time. É uma verdade dentro de um time de 5 ou 6 pessoas e continua sendo verdade para organizações inteiras, com centenas de colaboradores (ou maçãs 🍎 🍏, como chamou o Muller). Mas por quê ainda se fala tanto sobre a importância da comunicação ? Porque é sempre o primeiro problema pra resolver.

Para manter todo mundo na mesma página é que surgem as reuniões de alinhamento, planejamento, reuniões diárias (daily meetings), retrospectivas, etc. O único objetivo é compartilhar o máximo para que todos tenham contexto suficiente para tomar as melhores decisões. A boa comunicação e a saturação dela entre “líderes” e “liderados” é o caminho para uma relação mais harmoniosa e um trabalho mais efetivo.

Na prática: O que fazer quando seu líder não se comunica de maneira eficiente? Perguntas! Sempre que alguma coisa não estiver clara para você, você vai perguntar. Seu objetivo não é entender “Como fazer alguma coisa” ou “O que deve ser feito”. Seu objetivo primeiramente é entender o Objetivo por trás de qualquer tarefa. Entender o “Por quê” algo precisa ser feito vai te trazer a visão global de algo. Toda vez que não estiver claro, pergunte ativamente. Discuta os pontos que devem ser feitos, qual a melhor forma de fazê-los e quando algo não estiver claro para você como “por quê estamos usando a metodologia x ao invés de y?” ou “por que não tentamos fazer tal coisa”.

Fale com quem resolve

Falar com quem resolve é outro ponto que deve ser trabalhado se você quiser liderar de baixo para cima. Discuta abertamente os problemas da empresa com o seu chefe e não pelas costas para os seus pares. Falar com alguém que não tem o poder de mudar nada só vai soar como reclamação e vai contaminar o barril inteiro e ainda pode ter um efeito negativo sobre como os outros funcionários enxergam você. Se você levar isso para quem tem o poder de resolver, você estará ativamente buscando soluções.

Seja Humilde

Contudo, considere se você está sendo humilde. Eu sei o quão irritante pode ser ouvir isso, principalmente se você estiver de saco cheio com a sua empresa, porém ser humilde para considerar se o que está sendo feito tem sentido, ou se você tem o contexto completo para avaliar uma decisão é crucial para ser ouvido também. No livro, Extreme Ownership, Jocko Willink e Leif Babin explicam como o ego pode atrapalhar seu julgamento e sua tomada de decisões. Se você ouvir atenciosamente, maior será sua chance de entender melhor o cenário e com isso ter uma melhor base de argumentação, se necessário. No final de uma boa discussão os envolvidos vão sair melhores, entendendo mais os pontos um do outro. Mesmo que haja discordância, é mais fácil seguir por um caminho depois de entender quais são os trade-offs de cada alternativa.

Compartilhe Conhecimento

Uma outra estratégia que pode ser aplicada juntamente a todas as outras é compartilhar conhecimento. As diferentes visões para a tomada de decisão vem de diferentes repertórios. Nutra os demais membros do time com informações que você achou relevante para basear a sua visão. Indique textos, livros, podcasts, vídeos, ted talks, cursos e tudo que puder para seus líderes. As vezes um simples “Fulano, gostaria de discutir um texto com você”, pode ser suficiente para um aprendizado relevante na sua empresa. Ninguém sabe tudo e fomentar essas trocas só enriquece o ambiente e o aprendizado.

Vá embora, você não é uma árvore

Por fim, se a incompatibilidade de gênios é certa, não leve nada para o pessoal. Crie asas e voe para outro lugar. Foque nas coisas boas que você construiu e nos aprendizados que vai levar desta empresa para outra e vá atrás de algo melhor para você. Permanecer em um lugar que não tem nenhum sinal que vai dar certo pode te desmotivar e isso não prejudica só sua empresa, mas também as pessoas próximas (ninguém suporta reclamões) e principalmente sua imagem profissional, pois alguém desmotivado por um longo período pode ser visto como preguiçoso e/ou incapaz pelos colegas e refletir negativamente em futuras indicações.

Resumo

Algorítimo para hacker as organizações:

  1. Comunicação efetiva sempre! Pergunte até esclarecer pontos obscuros. Não assuma nada!
  2. Fale com quem pode resolver. Levar problemas para os seus pares não muda sua vida, só faz de você um bebê chorão ou uma matrona fofoqueira.
  3. Seja Humilde.
  4. Eduque quem estiver ao seu redor! Considere compartilhar com eles textos e livros sobre temas que acredita que eles não estão bem treinados. Essa é uma forma efetiva de feedback para liderar.
  5. Não leve nada para o lado pessoal. Muitas vezes temos que lidar com pessoas que não tem a mesma maturidade que temos. Se for o caso, bola pra frente

Vamos discutir?

Concordando ou não, deixe um comentário, eu realmente quero ouvir outras opiniões sobre esse assunto.

Crie um produto que as pessoas amem

Escrevo esse texto depois de por várias vezes ter tido problemas com o app da Rappi e mesmo assim continuar tentando usar. Eles resolvem um problema tão real que eu, como usuário, consigo não ligar para alguns bugs e mal funcionamento, justamente porque quero muito o serviço que tem ali. Com certeza essa é a primeira coisa pra se prestar atenção quando se vai criar algo que as pessoas amam.

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Usuários que amam um produto se tornam evangelistas dele.

Quando em 2014 passei uns meses no Vale do Silício, eu ouvi essa frase algumas milhares de vezes. Toda startup ou “empresa caloura” como diz um amigo meu, está ou deveria estar em busca da construção de um produto que o usuário AME. Não é um produto que o usuário goste, nem um produto que o usuário use com frequência, mas sim: um produto que as pessoas amam.

Já pensou como é difícil AMAR um produto ou uma empresa? Para isso essa empresa realmente precisa estar resolvendo um problema de verdade. Uma dor daquelas que realmente incomodam. Veja que essa é a parte mais importante: enxergar justamente onde você pode mudar a vida/rotina de alguém. Encontrar essa dor é mais importante que as ferramentas que você usou, que o produto “acabado” ou que o tamanho do seu mercado.

Você conhece algum produto assim? Perguntei para pessoas próximas quais sites ou apps elas amam e as respostas foram essas: Waze, Strava, iFood, Inbox (que inclusive será descontinuado pelo Google) e muitos outros, sem contar os clássicos como o iPhone, iPod, Steam, etc… Pode ser que para você não seja nenhum desses, mas com certeza existe algum aplicativo, ou outro tipo de serviço/produto que você AMA.

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Filas de pessoas para comprar um novo iPhone

Encontrando um problema para resolver

Sempre que você se depara com uma dificuldade você está diante de um problema que você pode resolver. A questão é se ele vale a pena ser resolvido. Você pode achar que vale a pena criar mais uma marca de surf e que as que existem são poucas; ou você pode descobrir que bancos são irritantes para pessoas jovens e tentar construir um banco que atenda essas pessoas.

Além desses problemas em um nível macro, você encontrará muitos outros menores que ainda não estão bem resolvidos. Pode ser que na empresa que você trabalha existe um processo manual que poderia ser automatizado. Por quê não pensar nisso como um problema a ser resolvido? Talvez você possa automatizar isso para várias empresas e passar de funcionário para fornecedor. Coisas como essa acontecem bastante e muita empresa de sucesso foi criada assim, aproveitando um problema que precisava ser resolvido para outra empresa, mas que não era o core do negócio.

Resolvendo o problema

Independente do problema que você encontrou, a primeira coisa que você vai fazer é se tornar um especialista naquele assunto. Consuma o máximo de conteúdo que puder sobre aquilo, leia livros, assista vídeos, vá em eventos e aprenda sobre o problema que você encontrou. É realmente, um problema? Existe para mais alguém? Não é só algo da sua cabeça? Muitas vezes ficamos tão obcecados com nossas próprias ideias que não conseguimos apreender sobre o mundo ao nosso redor. Não fique fechado em seu casulo, converse com outras pessoas, pense se vale a pena investir nessa solução. Se você chegou a conclusão de que é necessário resolver aquele problema então chegou a hora de trabalhar em cima do seu primeiro protótipo: o produto mínimo viável.

Criando um MVP para validar uma hipótese

MVP é uma sigla muito famosa e pouco entendida. É o Minimum Viable Product ou Produto Mínimo Viável, em português. O MVP é um protótipo. É um experimento para testar uma hipótese. O mais importante nesse passo não é o MVP em si, mas sim o teste da hipótese.

A primeira coisa a se fazer é criar uma hipótese. Vamos imaginar como poderia ter sido a hipótese da NetFlix, no final dos anos 90. O cenário era de pessoas que se locomoviam até grandes locadoras para escolher filmes e depois de um ou dois dias, deveriam voltar na locadora para devolver o filme assistido. Imagine que a NetFlix achava um porre ter que sair de casa para alugar e ter que ir depois para devolver. Caso não devolvesse no prazo, as locadoras cobravam uma multa. Então, suponhamos, que a NetFlix montou a seguinte hipótese: “Já que nós acreditamos que as pessoas não querem ir até uma locadora, se oferecermos um aluguel de filmes em casa, elas vão usar o nosso serviço”.

Agora, com a hipótese em mãos, vem o MVP da Netflix. Para testar essa hipótese foi criado um catálogo de DVDs que eram entregados pelo correio. Você recebia o catálogo, pedia o filme por telefone e alguém entregava e depois vinha retirar o filme. Simples assim.

Veja, o MVP foi suficiente para testar a hipótese e para fazer o mais importante: Colocar a empresa em contato com os early-adopters, ou seja, os primeiros usuários. As pessoas que tem aquela dor latente de querer ter aquele problema resolvido e não ligam se seu serviço apresenta algumas falhas no começo, contanto que você esteja resolvendo o problema delas.

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Exemplo de construção de um MVP, entregando valor para o cliente em cada iteração

Ouvindo os clientes para começar tudo de novo

A construção do MVP abre o contato entre sua empresa e seus clientes e essa é a parte mais importante para construir um produto que as pessoas amam. Primeiro, você precisa se despir do que você acha que sabe sobre o mercado ou sobre seus clientes. Você precisa escutá-los atentamente e observar como esses clientes usam e se relacionam com seu produto/serviço.

Esse é o momento de entender o que realmente importa para os usuários. Como você pode economizar ou criar tempo, dinheiro e recursos para eles. Como o usuário tem resolvido aquele problema sem a solução que você está oferecendo. Você melhora ou piora o processo dele? Ele está disposto a pagar por essa solução ou quando está de frente com um boleto acredita que aquele problema não era tão grande assim?

Repetindo o processo

Tanto faz se sua hipótese foi validada ou não. Em qualquer um dos casos você vai ter aprendido coisas novas nesse processo. Aprendido sobre seus usuários, sobre o mercado, sobre o seu próprio produto. Então é hora de partir para uma nova hipótese. Trabalhe em um novo MVP e parta para um novo ciclo.

Cada vez que você completar o ciclo você está iterando sobre ele, ou seja, você está utilizando todo o feedback que recebeu dos usuários e colocando como insumo sobre o mesmo processo de desenvolvimento do produto. Esse processo, segundo os princípios de Lean Startup (Startup Enxuta) é o Build-Measure-Learn (Construir-Medir-Aprender).

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Ciclo Build-Measure-Learn (Construir, Medir, Aprender)

O processo de construir, medir e aprender é o que vai garantir que você esteja construindo algo que as pessoas amem. Não é o seu instinto, não é o que você acha e não é o quanto você cobra. O processo vai garantir que a cada novo passo na construção do seu produto você esteja avançando na direção certa, na direção que traz mais resultado para os seus clientes.

Exercitando o método

Todo esse processo da Startup Enxuta se assemelha a um método científico. Você tem suas suposições e cria experimentos para testá-las. De acordo com o que você aprendeu com esses experimentos você confirma ou muda suas ideias iniciais, sem crise e sem dogmas.

Um exercício interessante para quem quer empreender é tomar nota de coisas que você vê no seu dia a dia sobre problemas e soluções existentes. Tente responder as seguintes perguntas no seu dia a dia:

Para conhecer outros produtos:

  • Qual problema esse produto/serviço resolve? Como isso era resolvido antes? A solução proposta é melhor e mais confiável que a anterior?
  • Quais produtos eu sou um early-adopter, uso mesmo que eles não estejam 100% prontos e apresentem problemas de vez em quando?
  • Quais novos lançamentos eu presenciei em serviços/produtos que trouxeram novos benefícios para mim e outros usuários?

Para treinar com as suas ideias:

  • Qual problema eu estou enfrentando que não tem uma solução boa e confiável o bastante?
  • Quem seriam os early-adopters, ou seja, pessoas que também enfrentam esse problema e estariam dispostos a testar uma nova solução?
  • Qual o MVP que eu poderia criar para ter certeza que tenho um problema real e que os early-adopters estão dispostos a usar meu MVP e pagar por ele, mesmo que incompleto?

Longe de ser um assunto novo, mas é sempre importante relembrarmos as bases. Escrevi despretensiosamente, mas gostaria de saber quais outros produtos/serviços vocês sentem que são early-adopters e usam mesmo quando enfrentam dificuldades para fazer o app funcionar?

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4 Melhores Podcasts sobre Tecnologia e Startups

Ouvir Podcasts é uma forma muito eficiente para se manter por dentro do que acontece na sua área.  Ouço vários Podcasts sobre tecnologia e startups, além de outros temas e tenho certeza que eles são importantes para que eu continue atualizado no meu ramo. Estar informado pode ser a diferença entre ser bom e ser ótimo.

Para quem não conhece, podcast é como um programa de rádio com a diferença de que você pode ouvir quando quiser, escolher os episódios e sempre ficará sabendo quando publicarem um programa novo. Podcast não é novidade mas não chegou a virar mainstream no Brasil ainda. Vai crescer muito este ano.

Meu aplicativo para assinar (baixar e ouvir) podcasts é o PocketCasts ele é pago, paga uma vez só e usa todos os dias, mas existem várias outras opções gratuitas aí para quem não quiser desembolsar os R$ 12 reais. Bora pra lista:

Hipsters.tech

logo do podcast hipsters.tech

Apesar do nome péssimo, clichê e modinha é na minha opinião o melhor podcast brasileiro. Tem um episódio por semana e é um programa muito bem formatado. Normalmente os episódios tem menos de uma hora e variam sobre desenvolvimento, design, empreendedorismo, etc.

Esse é um dos episódios que gostei bastante sobre Squads. Você pode dar uma olhada em outros episódios no site deles https://hipsters.tech

Software Engineering Daily

software engineering daily logo

Esse é um podcast gringo (em inglês). Eles soltam um episódio por dia útil, ou seja, é daily mesmo. Mesmo que não dê para ouvir todos os dias é bom ficar por dentro e olhar o que eles já fizeram. Tem entrevistas com gente da área de tecnologia e de startups, normalmente engenheiros e empreendedores de empresas renomadas e criadores das tecnologias que estão sendo discutidas. Você pode ver os episódios aqui

Talk Python to Me

talk python to me podcast logo

Esse podcast é mais específico para pythonistas, mas quem não gosta de python? Tem participações de caras muito fodas da comunidade como Kenneth Reitz, David Beasley e até do Guido Van Rossum.

O site é esse aqui: https://talkpython.fm/ . Meu único problema com esse podcast é que ele tinha a melhor música de abertura de qualquer podcast até o meio do ano passado, depois entrou uma música chata =P

Like a Boss

like a boss podcast logo

Esse é um podcast dos mesmos criadores do Hipsters. O objetivo é “trazer entrevistas com líderes, fundadores de startups e empresas inovadoras” nas próprias palavras deles. Está bem no comecinho, tem apenas 7 episódios.

Gostei bastante dessa entrevista com David Vélez, o fundador do Nubank.

Outros podcasts:

Eu gostava muito do ZOFE (Zone of Front-Enders) , mas infelizmente ele não tem novas publicações já faz tempo. O site está mais desatualizado que o podcast mas ainda assim dá para ouvir conteúdo do passado. Era realizado pelo Daniel Filho, um cara diferenciado que eu sempre via no melhor meetup de front-ends de São Paulo, o FEMUG-SP.

Falando em podcasts antigos, outro que curti bastante mas já não solta coisa nova é o Grok Podcast. Isso que é bom dos podcasts, eles podem ter acabado mas os episódios estão aí para sempre.

Um podcast que eu descobri recentemente foi o Castálio Podcast. Também fala bastante de Python. Por enquanto, só ouvi um episódio e foi sobre serverless. Aliás, dá pra ver o podcast sendo gravado ao vivo no youtube e mandar perguntas para eles.

Mais um podcast gringo que estou esperando ver como vai desenrolar é o Modern CTO. Me parece uma estratégia audaciosa para criar conteúdo para CTOs uma coisa que não se vê todo dia. Estou começando a acompanhar.

Bom, esses foram os meus podcasts favoritos sobre esses temas. Quem tiver outros podcasts que quiser indicar deixe nos comentários.

 

Por que não produzimos mais Ronaldinhos? Ou por trás dos highlights e a importância do feedback pra se tornar melhor.

Todos os dias milhares de crianças jogam bola pelas ruas. Correm o dia todo e só param quando suas mães gritam para elas irem pra casa pra comer. Se tem tanta gente praticando e treinando porque não aparecem mais Ronaldinhos, por aí?

Por trás dos Highlights

Hoje li esse lindo texto do Ronaldinho.  É uma carta pra ele mesmo quando criança em Porto Alegre.
Quando vemos um texto desses a gente presta muita atenção nos highlights. O momento em que ele é chamado pra jogar futebol no grêmio, depois pra jogar na sub 17, seleção brasileira, PSG, Barcelona, etc.  Mas aí no meio desse texto, por trás de todos esses highlights dá pra perceber o quanto esse cara treinou a vida toda. Desde criança jogava bola incessantemente e sempre com bons mentores.
Ronaldinho gaúcho e seu irmão Roberto
Pessoas falam sobre talento, dom ou predestinação, mas isso é superestimado. Alguém pode ter geneticamente mais facilidade para alguma coisa, sim, isso é um fato, vide Michael Phelps porém pra se tornar o melhor é só com muito treino e feedback o tempo todo.
A construção da carreira dessas pessoas de sucesso é diária. É como num filme sobre empreendedorismo, o cara tem uma ideia, forma uma equipe e eles começam a trabalhar juntos. Depois sempre vem aquela cena em fast motion, que mostra dias e noites passando enquanto eles rabiscam a lousa, mexem no computador, etc ¹… E essa é a parte importante da trajetória, todo esse trabalho feito. Isso não é glamouroso o bastante pra entrar no filme, mas é isso que proporciona o sucesso: trabalho ou treino
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Por que não produzimos mais Ronaldinhos?
Se a prática / treino são tão importantes para garantir o sucesso, então porque não são todos os meninos que jogam bola o dia todo pelas ruas do Brasil que se tornam Ronaldinhos?

ronaldinho-driblando

 

Feedback: Uma breve história sobre MecFlu

Em 2007, no segundo ano de engenharia da Poli, eu cursei uma das matérias mais difíceis que fiz: Mecânica dos Fluidos. Muitos alunos já tinha me alertado que essa matéria era um terror. Que era tricky, que se não se dedicasse bastante não teria como passar.

Eu já não vinha de um semestre muito bom e resolvi estudar MecFlu (como chamávamos). Sempre fui do tipo autodidata e se o professor não for ultra didático tendo a acreditar que aprendo melhor com o livro do que na aula. Então peguei um dos livros recomendados, e li os capítulos relacionados à P1 (primeira prova), montei meu resumo, achei que tinha entendido e fiz todos os exercícios.

No dia da P1, tínhamos 1h40 pra resolver 4 exercícios. Resolvi todos e no final fui conversar com meus amigos…todos chorando as pitangas que tinham ido muito mal e eu não… falei pra eles que achava que tinha tirado um dez, que consegui resolver tudo sem muita dificuldade. Semanas depois saiu o resultado…meus amigos tinham ido mal como esperavam… notas: 3 ….. 2.5 …. 1 e eu tirei um grande e redondo ZERO. 

 

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A importância do feedback pra se tornar melhor

Como eu tirei esse zero tendo estudado e fazendo os exercícios? O livro não tinha respostas. Fiz os exercícios e considerei que os resultados estavam certos, logo não tive o feedback necessário pra ver o que eu precisava melhorar. O único feedback que tive foi o da prova. Já era tarde demais.

É esse o motivo pelo qual não produzimos mais Ronaldinhos. Não adianta você só passar o dia jogando futebol, você precisa ter o feedback se o que você está fazendo está certo. Também para aprender os atalhos e os pontos onde você pode melhorar.

Tem um episódio do Freakonomics Radio ótimo sobre isso, chama-se How to become Great at Just About Anything (tradução livre: Como se tornar FODA em praticamente tudo). Nesse episódio eles debatem as ideias do Malcolm Gladwell, autor de Outliers, (Aquele da regra das 10 mil horas) com os estudos do psicólogo Anders Ericsson, sobre como as pessoas adquirem expertise.

Um das coisas que mais me chamou a atenção foi o que hoje para você se classificar para a Maratona de Boston você precisa correr o equivalente ao de atletas das primeiras Olimpíadas. Em todas as olimpíadas quebramos recordes e em todos os campos parece que alcançamos mais em menos tempo. As pessoas aprendem mais, mais rapidamente e os humanos do futuro poderão ser mais rápidos que Bolt ou Phelps.

 

E os celeiro de Talentos?

Sabe aquela ideia de que muitos talentos vem do mesmo lugar?

  • O Barcelona é um celeiro de craques
  • O Vale do Silício é um celeiro de startups
  • A China é um celeiro de jogadores de ping-pong
  • e por aí vai…

Não é mágica. Cada um desses lugares tem um monte de pessoas (doravante mentores) com expertise pra que os ingressantes consigam apreender os truques para se tornarem melhores mais rapidamente e também possuem os recursos pra que as pessoas se desenvolvam.

Você pode aprender muita coisa sozinho, mas o feedback é super importante. Uma coisa boa de aprender programação é que no começo você pode evoluir muito rápido sozinho, afinal você escreve o software e na hora sabe se ele funcionou ou não. Rapidamente você vai aprendendo o que funciona e o que não funciona.

Claro que uma hora você vai precisar aprender formas mais fáceis e rápidas de programar. Trabalhando com outras pessoas você vai evoluir muito mais rápido. Por isso que em equipes que usam Code Review os programadores menos experientes evoluem melhor. Mesma coisa para quem contribui em projetos open source. Não necessariamente o mentor é um mentor de fato, mas alguém ou ferramenta que te mostre onde você errou e qual o melhor jeito de se fazer o certo.

mentor do he-man

Na história de hoje você aprendeu porque apesar de um monte de gente jogar bola todo dia nem todas viram o Ronaldinho (não pude evitar!!!)

 

¹ Essa referência não é minha, li uma vez em algum lugar que não consegui encontrar…não sei se foi em um livro, talvez tenha sido no Lean Startup, já que cito em todos os meus posts, huahuahua

O que aprendi gerenciando 3 produtos em 2016

Há exatamente um ano eu fiz um balanço sobre como foi o meu 2015 e como saí de uma fase de total esgotamento para a empolgação com uma empresa que estava nascendo. Atendendo a pedidos (Meu pai queria ler a continuação, huahuahua) resolvi contar de forma breve(?) como foi esse ano pra mim, pra minha carreira e o que aprendi gerenciando 3 produtos diferentes na mesma empresa.

Sobre os Desafios e Conquistas:

No ano passado(2015), consegui entregar o LegalNote. Começou pequeno, como deveria ser, afinal era só um MVP e precisávamos validar se existia mercado pra ele, se os advogados teriam interesse em um produto minimalista para controle de processos. Diversas vezes aplicamos os brilhantes métodos do Lean Startup do Eric Ries e quando se fala de Lean Startup necessariamente se fala do ciclo Build – Measure – Learn (tradução livre: Construir – Medir – Aprender)

Rapidamente aprendemos que nossos clientes precisavam que nós expandíssemos nossos robôs (doravante crawlers) para todos os tribunais do Brasil e todos os diários oficiais.

Como missão dada é missão cumprida, começamos o ano com a difícil tarefa de expandir nossos horizontes sobre fontes de informação pública. Se você já precisou algum dia buscar qualquer coisa que seja em um órgão público deve ter xingado o site algumas vezes. Pois é, o desafio de acessar sites do governo para estruturar e dar inteligência àquelas informações, tentar buscar padrões, trabalhar com dados nada estruturados é uma dor de cabeça. Se você quer que as coisas fiquem fáceis para o seu cliente, elas terão que ser difíceis pra você. Muitas partes em movimento, sites que podem mudar de uma hora pra outra e quebrar o seu crawler, mudança de padrões que podem quebrar seus RegEx, etc… Mas conseguimos. Nossa primeira fase de expansão sobre tribunais e diários oficiais foi um sucesso…

Mas com grandes poderes vem grandes responsabilidades. Ao longo desses anos trabalhando com startups me aprimorei em uma técnica pra atrair clientes com SEO. Usei pela primeira vez em 2013 e naquela época conseguimos alcançar clientes sem verba de marketing. Agora em 2016 usamos a mesma técnica e o resultado veio muito rápido. Muitos clientes e muitos processos.  Para vocês terem uma ideia, essa é a imagem que foi postada no Blog do LegalNote com os números da empresa em 2016:

O que aprendi gerenciando 3 produtos em 2016 - Fernando Alves

E pra todo número grande que você vê aí, tivemos um desafio de infra-estrutura. Desafios de escalabilidade, provisionamento de instâncias, controle e gerenciamento de filas, performance de banco de dados, monitoramento, performance de buscas, milhões de tasks, alta carga de emails e mais…

O bom é que todo problema traz consigo uma oportunidade pra aprender. Aprendi muito esse ano, muito mesmo, muito sobre performance, sobre escalabilidade, sobre AWS e principalmente sobre gerenciamento. Quando você é um chefe muito técnico existe uma grande possibilidade de você focar em desenvolver, afinal você é um cara mão-na-massa, mas na maioria das vezes isso não é o melhor pra você, nem para sua empresa. Você como gestor precisa o tempo todo facilitar para que as pessoas ao seu redor se desenvolvam. E o grupo sempre vai chegar mais longe que você, não importa quão bom você seja. Você precisa usar o seu conhecimento para alavancar a produtividade e o conhecimento das outras pessoas. Elas precisam melhorar o tempo todo e você também (Por isso fiquei emocionado ao ver a retrospectiva de final de ano de um cara brilhante que trabalha com a gente e ter lido a retrospectiva dele do ano passado)

Facilitar para que as pessoas se desenvolvam envolve:

  • Aumentar gradualmente o desafio que elas devem resolver
  • Estar disponível para conversar e tirar dúvidas
  • Se livrar dos impedimentos
  • Ouvir muito
  • etc

Só o que tenho aprendido como gestor dá mais alguns posts que prometo escrever esse ano.

Voltando ao ciclo, junto ao crescimento do LegalNote nós lançamos o Diligeiro. Primeiro a API ficou pronta, depois veio o lançamento do aplicativo Android, do WebApp e no segundo semestre lançamos o app para iOS

gerenciando-produtos-lançamento-diligeiro-ios
Almoço de lançamento do Diligeiro para iOS

Produto diferente, desafios diferentes. Logo aprendemos que os usuários queriam um chat in-app. Que foi a primeira feature a ser desenvolvida com o app já em funcionamento. Ficou tão legal, que outro dia mostrando para um pessoal no DevBeers tive que ouvir um “que é isso? é o Whatsapp?”

E foi através do Diligeiro que tive uma das minhas experiências mais gostosas como empreendedor. Há alguns meses precisei ir para Belo Horizonte participar de uma audiência. E conhecem aquela frase americana: Eat your own dog food, então a advogada que ia participar da audiência comigo na cidade foi contratada pelo aplicativo. Tudo correu bem, fomos à audiência e depois de sair do fórum a advogada me disse que estava praticamente só trabalhando como correspondente e utilizava o Diligeiro pra trabalhar. ( Explicando sucintamente: O Diligeiro é o Uber pra correspondentes jurídicos). Um mês depois recebi a decisão do Juiz através do LegalNote. Viagem completa dentro dos produtos da própria empresa, levantei comemorei, todo mundo bateu palma e a sensação que eu tive foi de uma vitória muito grande. E o diligeiro tem novidades por aí…

Caramba, ainda não parei de escrever…mas vamos lá. Dezenas de Milhares de pessoas físicas começaram a querer usar nossa ferramenta para advogados! Então porque não dar a essas pessoas o que elas querem?

gerenciando-produtos-shut up and take my money

Assim começamos a desenvolver um novo produto e lançamos agora no final do ano. É o SeuProcesso.com. Um court monitor para pessoa física.

Nossa corujinha

Ano que vem vocês ouvirão eu falar muito mais sobre o SeuProcesso.com

E como nem só de trabalho viverá o homem, pessoalmente esse ano foi incrível pra mim. Fiz o meu primeiro mergulho e foi uma das experiências mais extraordinárias que já tive. Viajei sozinho, fiz longas trilhas só ouvindo a natureza, fui em muitos parques, nadei, cantei, dormi, chorei. Li um livro que mudou minha vida (The Will Power Instinct) pq foi através dele que comecei a praticar meditação diariamente e o simples fato de sentar e respirar me deixa mais tranquilo, mais consciente de como estou me sentindo e olha que a vida inteira eu achava que isso era bullshit, só tentei dar uma chance ao HeadSpace pra começar a gostar e sentir diferença na minha vida. E o principal de tudo…foi o ano do Guanciale

Muito obrigado, 2017 tem mais!