O que buscamos na crise?

pães

Li uma matéria no G1 comentando sobre o crescimento das buscas online para alguns produtos no período da quarentena.

Buscas de supermercado pela internet, equipamentos de ginástica e periféricos de computador subiram vertiginosamente. Só como exemplo, álcool em gel cresceu 983%. Anilhas de academia, 937%.

Claro que existem um monte de outros produtos ali que em um exercício mental você conseguiria adivinhar que cresceriam também como televisões, webcams, headsets e até computadores (já que o Home Office virou realidade para 23% das pessoas, contra 0,2% poucos tempo atrás).

Fiquei curioso e quis fazer minha própria pesquisa, imaginando o que poderia gerar maior interesse nesse momento de crise. Estou colocando os resultados abaixo:

Resolvi utilizar o Google Trends para ter uma ideia de como estamos buscando alguns termos no Brasil. A primeira curiosidade que tive foi de saber se estamos buscando mais por “comparadores de preço”. Imaginei que já que a busca é online, comparar preços seria mais fácil através de uma ferramenta. Além disso, a matéria do G1 aponta o Buscapé como fornecedor dos dados.

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Google trends comparando resultados para buscapé, zoom e bondfaro

Inicialmente, tomei um susto! O único buscador que eu uso é o Buscapé, porém lembrei que existiam outros dois: o Zoom e o BondFaro. Acontece que eles nem existem mais (pelo menos ambos os sites estavam com erro 504 no momento em que escrevo este artigo) e Zoom é o mesmo nome de uma ferramenta de videoconferência e por isso temos esse boom de interesse bem no período da quarentena.

Deixando só o Buscapé, aparentemente nada mudou na quarentena e o pico foi na Black Friday:

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Google Trends com resultados de busca para buscapé

Depois pensei em outras duas hipóteses:

  1. Durante a quarentena as pessoas procuram mais por Cursos Online.
  2. E a busca por Jogos Online também aumenta durante a quarentena.

Curiosamente, o interesse em Cursos Online sempre foi menor do que por Jogos Online, mas desde meados de Março, ambos cresceram muito e o interesse em buscas por Cursos ultrapassou o interesse em Jogos:

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Google Trendfs com resultados de busca para Cursos Online e Jogos Online

Os cursos que tem sido mais buscados são os “gratuitos” e a busca por cursos gratuitos em específico da FGV e os de desenho da Faber Castell estão crescendo.

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Tabela do Google Trends para Queries relacionadas a Cursos

E só para ter certeza que as pessoas estão ficando em casa, resolvi comparar com as buscas por bares, cinemas e restaurantes e constatei que houve uma queda bem acentuada em março:

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Google Trends com resultados de busca para Restaurante, Bar e Cinema

Fora isso, o próprio Google Trends deixa vários insights de buscas que vem crescendo. Obviamente, a grande maioria delas é relacionada ao COVID-19, à crise e a informações de como conseguir ganhar o benefício do governo. Contudo, um dos insights me chamou muita atenção:

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Google Trends com resultados de busca para Como Fazer Pão

O interesse em “Como Fazer Pão” dobrou.

E disso tirei um monte de outras dúvidas que gostaria do seu input:

  • Será que o interesse por cursos online se mantém depois da crise?
  • Que tipo de negócios poderiam nascer de novos interesses das pessoas?
  • Assinatura de entrega de pães?
  • Assinatura de ingredientes para fazer pão em casa?
  • Será que depois da crise as pessoas continuam a fazer seus pães ou voltam para as padarias?

Enfim, para cada pergunta vai surgir uma outra pergunta, mas a reflexão que eu quero deixar é exatamente como descobrir o que tem potencial para crescer durante a crise?

Crie um produto que as pessoas amem

Escrevo esse texto depois de por várias vezes ter tido problemas com o app da Rappi e mesmo assim continuar tentando usar. Eles resolvem um problema tão real que eu, como usuário, consigo não ligar para alguns bugs e mal funcionamento, justamente porque quero muito o serviço que tem ali. Com certeza essa é a primeira coisa pra se prestar atenção quando se vai criar algo que as pessoas amam.

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Usuários que amam um produto se tornam evangelistas dele.

Quando em 2014 passei uns meses no Vale do Silício, eu ouvi essa frase algumas milhares de vezes. Toda startup ou “empresa caloura” como diz um amigo meu, está ou deveria estar em busca da construção de um produto que o usuário AME. Não é um produto que o usuário goste, nem um produto que o usuário use com frequência, mas sim: um produto que as pessoas amam.

Já pensou como é difícil AMAR um produto ou uma empresa? Para isso essa empresa realmente precisa estar resolvendo um problema de verdade. Uma dor daquelas que realmente incomodam. Veja que essa é a parte mais importante: enxergar justamente onde você pode mudar a vida/rotina de alguém. Encontrar essa dor é mais importante que as ferramentas que você usou, que o produto “acabado” ou que o tamanho do seu mercado.

Você conhece algum produto assim? Perguntei para pessoas próximas quais sites ou apps elas amam e as respostas foram essas: Waze, Strava, iFood, Inbox (que inclusive será descontinuado pelo Google) e muitos outros, sem contar os clássicos como o iPhone, iPod, Steam, etc… Pode ser que para você não seja nenhum desses, mas com certeza existe algum aplicativo, ou outro tipo de serviço/produto que você AMA.

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Filas de pessoas para comprar um novo iPhone

Encontrando um problema para resolver

Sempre que você se depara com uma dificuldade você está diante de um problema que você pode resolver. A questão é se ele vale a pena ser resolvido. Você pode achar que vale a pena criar mais uma marca de surf e que as que existem são poucas; ou você pode descobrir que bancos são irritantes para pessoas jovens e tentar construir um banco que atenda essas pessoas.

Além desses problemas em um nível macro, você encontrará muitos outros menores que ainda não estão bem resolvidos. Pode ser que na empresa que você trabalha existe um processo manual que poderia ser automatizado. Por quê não pensar nisso como um problema a ser resolvido? Talvez você possa automatizar isso para várias empresas e passar de funcionário para fornecedor. Coisas como essa acontecem bastante e muita empresa de sucesso foi criada assim, aproveitando um problema que precisava ser resolvido para outra empresa, mas que não era o core do negócio.

Resolvendo o problema

Independente do problema que você encontrou, a primeira coisa que você vai fazer é se tornar um especialista naquele assunto. Consuma o máximo de conteúdo que puder sobre aquilo, leia livros, assista vídeos, vá em eventos e aprenda sobre o problema que você encontrou. É realmente, um problema? Existe para mais alguém? Não é só algo da sua cabeça? Muitas vezes ficamos tão obcecados com nossas próprias ideias que não conseguimos apreender sobre o mundo ao nosso redor. Não fique fechado em seu casulo, converse com outras pessoas, pense se vale a pena investir nessa solução. Se você chegou a conclusão de que é necessário resolver aquele problema então chegou a hora de trabalhar em cima do seu primeiro protótipo: o produto mínimo viável.

Criando um MVP para validar uma hipótese

MVP é uma sigla muito famosa e pouco entendida. É o Minimum Viable Product ou Produto Mínimo Viável, em português. O MVP é um protótipo. É um experimento para testar uma hipótese. O mais importante nesse passo não é o MVP em si, mas sim o teste da hipótese.

A primeira coisa a se fazer é criar uma hipótese. Vamos imaginar como poderia ter sido a hipótese da NetFlix, no final dos anos 90. O cenário era de pessoas que se locomoviam até grandes locadoras para escolher filmes e depois de um ou dois dias, deveriam voltar na locadora para devolver o filme assistido. Imagine que a NetFlix achava um porre ter que sair de casa para alugar e ter que ir depois para devolver. Caso não devolvesse no prazo, as locadoras cobravam uma multa. Então, suponhamos, que a NetFlix montou a seguinte hipótese: “Já que nós acreditamos que as pessoas não querem ir até uma locadora, se oferecermos um aluguel de filmes em casa, elas vão usar o nosso serviço”.

Agora, com a hipótese em mãos, vem o MVP da Netflix. Para testar essa hipótese foi criado um catálogo de DVDs que eram entregados pelo correio. Você recebia o catálogo, pedia o filme por telefone e alguém entregava e depois vinha retirar o filme. Simples assim.

Veja, o MVP foi suficiente para testar a hipótese e para fazer o mais importante: Colocar a empresa em contato com os early-adopters, ou seja, os primeiros usuários. As pessoas que tem aquela dor latente de querer ter aquele problema resolvido e não ligam se seu serviço apresenta algumas falhas no começo, contanto que você esteja resolvendo o problema delas.

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Exemplo de construção de um MVP, entregando valor para o cliente em cada iteração

Ouvindo os clientes para começar tudo de novo

A construção do MVP abre o contato entre sua empresa e seus clientes e essa é a parte mais importante para construir um produto que as pessoas amam. Primeiro, você precisa se despir do que você acha que sabe sobre o mercado ou sobre seus clientes. Você precisa escutá-los atentamente e observar como esses clientes usam e se relacionam com seu produto/serviço.

Esse é o momento de entender o que realmente importa para os usuários. Como você pode economizar ou criar tempo, dinheiro e recursos para eles. Como o usuário tem resolvido aquele problema sem a solução que você está oferecendo. Você melhora ou piora o processo dele? Ele está disposto a pagar por essa solução ou quando está de frente com um boleto acredita que aquele problema não era tão grande assim?

Repetindo o processo

Tanto faz se sua hipótese foi validada ou não. Em qualquer um dos casos você vai ter aprendido coisas novas nesse processo. Aprendido sobre seus usuários, sobre o mercado, sobre o seu próprio produto. Então é hora de partir para uma nova hipótese. Trabalhe em um novo MVP e parta para um novo ciclo.

Cada vez que você completar o ciclo você está iterando sobre ele, ou seja, você está utilizando todo o feedback que recebeu dos usuários e colocando como insumo sobre o mesmo processo de desenvolvimento do produto. Esse processo, segundo os princípios de Lean Startup (Startup Enxuta) é o Build-Measure-Learn (Construir-Medir-Aprender).

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Ciclo Build-Measure-Learn (Construir, Medir, Aprender)

O processo de construir, medir e aprender é o que vai garantir que você esteja construindo algo que as pessoas amem. Não é o seu instinto, não é o que você acha e não é o quanto você cobra. O processo vai garantir que a cada novo passo na construção do seu produto você esteja avançando na direção certa, na direção que traz mais resultado para os seus clientes.

Exercitando o método

Todo esse processo da Startup Enxuta se assemelha a um método científico. Você tem suas suposições e cria experimentos para testá-las. De acordo com o que você aprendeu com esses experimentos você confirma ou muda suas ideias iniciais, sem crise e sem dogmas.

Um exercício interessante para quem quer empreender é tomar nota de coisas que você vê no seu dia a dia sobre problemas e soluções existentes. Tente responder as seguintes perguntas no seu dia a dia:

Para conhecer outros produtos:

  • Qual problema esse produto/serviço resolve? Como isso era resolvido antes? A solução proposta é melhor e mais confiável que a anterior?
  • Quais produtos eu sou um early-adopter, uso mesmo que eles não estejam 100% prontos e apresentem problemas de vez em quando?
  • Quais novos lançamentos eu presenciei em serviços/produtos que trouxeram novos benefícios para mim e outros usuários?

Para treinar com as suas ideias:

  • Qual problema eu estou enfrentando que não tem uma solução boa e confiável o bastante?
  • Quem seriam os early-adopters, ou seja, pessoas que também enfrentam esse problema e estariam dispostos a testar uma nova solução?
  • Qual o MVP que eu poderia criar para ter certeza que tenho um problema real e que os early-adopters estão dispostos a usar meu MVP e pagar por ele, mesmo que incompleto?

Longe de ser um assunto novo, mas é sempre importante relembrarmos as bases. Escrevi despretensiosamente, mas gostaria de saber quais outros produtos/serviços vocês sentem que são early-adopters e usam mesmo quando enfrentam dificuldades para fazer o app funcionar?

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4 Melhores Podcasts sobre Tecnologia e Startups

Ouvir Podcasts é uma forma muito eficiente para se manter por dentro do que acontece na sua área.  Ouço vários Podcasts sobre tecnologia e startups, além de outros temas e tenho certeza que eles são importantes para que eu continue atualizado no meu ramo. Estar informado pode ser a diferença entre ser bom e ser ótimo.

Para quem não conhece, podcast é como um programa de rádio com a diferença de que você pode ouvir quando quiser, escolher os episódios e sempre ficará sabendo quando publicarem um programa novo. Podcast não é novidade mas não chegou a virar mainstream no Brasil ainda. Vai crescer muito este ano.

Meu aplicativo para assinar (baixar e ouvir) podcasts é o PocketCasts ele é pago, paga uma vez só e usa todos os dias, mas existem várias outras opções gratuitas aí para quem não quiser desembolsar os R$ 12 reais. Bora pra lista:

Hipsters.tech

logo do podcast hipsters.tech

Apesar do nome péssimo, clichê e modinha é na minha opinião o melhor podcast brasileiro. Tem um episódio por semana e é um programa muito bem formatado. Normalmente os episódios tem menos de uma hora e variam sobre desenvolvimento, design, empreendedorismo, etc.

Esse é um dos episódios que gostei bastante sobre Squads. Você pode dar uma olhada em outros episódios no site deles https://hipsters.tech

Software Engineering Daily

software engineering daily logo

Esse é um podcast gringo (em inglês). Eles soltam um episódio por dia útil, ou seja, é daily mesmo. Mesmo que não dê para ouvir todos os dias é bom ficar por dentro e olhar o que eles já fizeram. Tem entrevistas com gente da área de tecnologia e de startups, normalmente engenheiros e empreendedores de empresas renomadas e criadores das tecnologias que estão sendo discutidas. Você pode ver os episódios aqui

Talk Python to Me

talk python to me podcast logo

Esse podcast é mais específico para pythonistas, mas quem não gosta de python? Tem participações de caras muito fodas da comunidade como Kenneth Reitz, David Beasley e até do Guido Van Rossum.

O site é esse aqui: https://talkpython.fm/ . Meu único problema com esse podcast é que ele tinha a melhor música de abertura de qualquer podcast até o meio do ano passado, depois entrou uma música chata =P

Like a Boss

like a boss podcast logo

Esse é um podcast dos mesmos criadores do Hipsters. O objetivo é “trazer entrevistas com líderes, fundadores de startups e empresas inovadoras” nas próprias palavras deles. Está bem no comecinho, tem apenas 7 episódios.

Gostei bastante dessa entrevista com David Vélez, o fundador do Nubank.

Outros podcasts:

Eu gostava muito do ZOFE (Zone of Front-Enders) , mas infelizmente ele não tem novas publicações já faz tempo. O site está mais desatualizado que o podcast mas ainda assim dá para ouvir conteúdo do passado. Era realizado pelo Daniel Filho, um cara diferenciado que eu sempre via no melhor meetup de front-ends de São Paulo, o FEMUG-SP.

Falando em podcasts antigos, outro que curti bastante mas já não solta coisa nova é o Grok Podcast. Isso que é bom dos podcasts, eles podem ter acabado mas os episódios estão aí para sempre.

Um podcast que eu descobri recentemente foi o Castálio Podcast. Também fala bastante de Python. Por enquanto, só ouvi um episódio e foi sobre serverless. Aliás, dá pra ver o podcast sendo gravado ao vivo no youtube e mandar perguntas para eles.

Mais um podcast gringo que estou esperando ver como vai desenrolar é o Modern CTO. Me parece uma estratégia audaciosa para criar conteúdo para CTOs uma coisa que não se vê todo dia. Estou começando a acompanhar.

Bom, esses foram os meus podcasts favoritos sobre esses temas. Quem tiver outros podcasts que quiser indicar deixe nos comentários.

 

Por que não produzimos mais Ronaldinhos? Ou por trás dos highlights e a importância do feedback pra se tornar melhor.

Todos os dias milhares de crianças jogam bola pelas ruas. Correm o dia todo e só param quando suas mães gritam para elas irem pra casa pra comer. Se tem tanta gente praticando e treinando porque não aparecem mais Ronaldinhos, por aí?

Por trás dos Highlights

Hoje li esse lindo texto do Ronaldinho.  É uma carta pra ele mesmo quando criança em Porto Alegre.
Quando vemos um texto desses a gente presta muita atenção nos highlights. O momento em que ele é chamado pra jogar futebol no grêmio, depois pra jogar na sub 17, seleção brasileira, PSG, Barcelona, etc.  Mas aí no meio desse texto, por trás de todos esses highlights dá pra perceber o quanto esse cara treinou a vida toda. Desde criança jogava bola incessantemente e sempre com bons mentores.
Ronaldinho gaúcho e seu irmão Roberto
Pessoas falam sobre talento, dom ou predestinação, mas isso é superestimado. Alguém pode ter geneticamente mais facilidade para alguma coisa, sim, isso é um fato, vide Michael Phelps porém pra se tornar o melhor é só com muito treino e feedback o tempo todo.
A construção da carreira dessas pessoas de sucesso é diária. É como num filme sobre empreendedorismo, o cara tem uma ideia, forma uma equipe e eles começam a trabalhar juntos. Depois sempre vem aquela cena em fast motion, que mostra dias e noites passando enquanto eles rabiscam a lousa, mexem no computador, etc ¹… E essa é a parte importante da trajetória, todo esse trabalho feito. Isso não é glamouroso o bastante pra entrar no filme, mas é isso que proporciona o sucesso: trabalho ou treino
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Por que não produzimos mais Ronaldinhos?
Se a prática / treino são tão importantes para garantir o sucesso, então porque não são todos os meninos que jogam bola o dia todo pelas ruas do Brasil que se tornam Ronaldinhos?

ronaldinho-driblando

 

Feedback: Uma breve história sobre MecFlu

Em 2007, no segundo ano de engenharia da Poli, eu cursei uma das matérias mais difíceis que fiz: Mecânica dos Fluidos. Muitos alunos já tinha me alertado que essa matéria era um terror. Que era tricky, que se não se dedicasse bastante não teria como passar.

Eu já não vinha de um semestre muito bom e resolvi estudar MecFlu (como chamávamos). Sempre fui do tipo autodidata e se o professor não for ultra didático tendo a acreditar que aprendo melhor com o livro do que na aula. Então peguei um dos livros recomendados, e li os capítulos relacionados à P1 (primeira prova), montei meu resumo, achei que tinha entendido e fiz todos os exercícios.

No dia da P1, tínhamos 1h40 pra resolver 4 exercícios. Resolvi todos e no final fui conversar com meus amigos…todos chorando as pitangas que tinham ido muito mal e eu não… falei pra eles que achava que tinha tirado um dez, que consegui resolver tudo sem muita dificuldade. Semanas depois saiu o resultado…meus amigos tinham ido mal como esperavam… notas: 3 ….. 2.5 …. 1 e eu tirei um grande e redondo ZERO. 

 

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A importância do feedback pra se tornar melhor

Como eu tirei esse zero tendo estudado e fazendo os exercícios? O livro não tinha respostas. Fiz os exercícios e considerei que os resultados estavam certos, logo não tive o feedback necessário pra ver o que eu precisava melhorar. O único feedback que tive foi o da prova. Já era tarde demais.

É esse o motivo pelo qual não produzimos mais Ronaldinhos. Não adianta você só passar o dia jogando futebol, você precisa ter o feedback se o que você está fazendo está certo. Também para aprender os atalhos e os pontos onde você pode melhorar.

Tem um episódio do Freakonomics Radio ótimo sobre isso, chama-se How to become Great at Just About Anything (tradução livre: Como se tornar FODA em praticamente tudo). Nesse episódio eles debatem as ideias do Malcolm Gladwell, autor de Outliers, (Aquele da regra das 10 mil horas) com os estudos do psicólogo Anders Ericsson, sobre como as pessoas adquirem expertise.

Um das coisas que mais me chamou a atenção foi o que hoje para você se classificar para a Maratona de Boston você precisa correr o equivalente ao de atletas das primeiras Olimpíadas. Em todas as olimpíadas quebramos recordes e em todos os campos parece que alcançamos mais em menos tempo. As pessoas aprendem mais, mais rapidamente e os humanos do futuro poderão ser mais rápidos que Bolt ou Phelps.

 

E os celeiro de Talentos?

Sabe aquela ideia de que muitos talentos vem do mesmo lugar?

  • O Barcelona é um celeiro de craques
  • O Vale do Silício é um celeiro de startups
  • A China é um celeiro de jogadores de ping-pong
  • e por aí vai…

Não é mágica. Cada um desses lugares tem um monte de pessoas (doravante mentores) com expertise pra que os ingressantes consigam apreender os truques para se tornarem melhores mais rapidamente e também possuem os recursos pra que as pessoas se desenvolvam.

Você pode aprender muita coisa sozinho, mas o feedback é super importante. Uma coisa boa de aprender programação é que no começo você pode evoluir muito rápido sozinho, afinal você escreve o software e na hora sabe se ele funcionou ou não. Rapidamente você vai aprendendo o que funciona e o que não funciona.

Claro que uma hora você vai precisar aprender formas mais fáceis e rápidas de programar. Trabalhando com outras pessoas você vai evoluir muito mais rápido. Por isso que em equipes que usam Code Review os programadores menos experientes evoluem melhor. Mesma coisa para quem contribui em projetos open source. Não necessariamente o mentor é um mentor de fato, mas alguém ou ferramenta que te mostre onde você errou e qual o melhor jeito de se fazer o certo.

mentor do he-man

Na história de hoje você aprendeu porque apesar de um monte de gente jogar bola todo dia nem todas viram o Ronaldinho (não pude evitar!!!)

 

¹ Essa referência não é minha, li uma vez em algum lugar que não consegui encontrar…não sei se foi em um livro, talvez tenha sido no Lean Startup, já que cito em todos os meus posts, huahuahua

O que aprendi gerenciando 3 produtos em 2016

Há exatamente um ano eu fiz um balanço sobre como foi o meu 2015 e como saí de uma fase de total esgotamento para a empolgação com uma empresa que estava nascendo. Atendendo a pedidos (Meu pai queria ler a continuação, huahuahua) resolvi contar de forma breve(?) como foi esse ano pra mim, pra minha carreira e o que aprendi gerenciando 3 produtos diferentes na mesma empresa.

Sobre os Desafios e Conquistas:

No ano passado(2015), consegui entregar o LegalNote. Começou pequeno, como deveria ser, afinal era só um MVP e precisávamos validar se existia mercado pra ele, se os advogados teriam interesse em um produto minimalista para controle de processos. Diversas vezes aplicamos os brilhantes métodos do Lean Startup do Eric Ries e quando se fala de Lean Startup necessariamente se fala do ciclo Build – Measure – Learn (tradução livre: Construir – Medir – Aprender)

Rapidamente aprendemos que nossos clientes precisavam que nós expandíssemos nossos robôs (doravante crawlers) para todos os tribunais do Brasil e todos os diários oficiais.

Como missão dada é missão cumprida, começamos o ano com a difícil tarefa de expandir nossos horizontes sobre fontes de informação pública. Se você já precisou algum dia buscar qualquer coisa que seja em um órgão público deve ter xingado o site algumas vezes. Pois é, o desafio de acessar sites do governo para estruturar e dar inteligência àquelas informações, tentar buscar padrões, trabalhar com dados nada estruturados é uma dor de cabeça. Se você quer que as coisas fiquem fáceis para o seu cliente, elas terão que ser difíceis pra você. Muitas partes em movimento, sites que podem mudar de uma hora pra outra e quebrar o seu crawler, mudança de padrões que podem quebrar seus RegEx, etc… Mas conseguimos. Nossa primeira fase de expansão sobre tribunais e diários oficiais foi um sucesso…

Mas com grandes poderes vem grandes responsabilidades. Ao longo desses anos trabalhando com startups me aprimorei em uma técnica pra atrair clientes com SEO. Usei pela primeira vez em 2013 e naquela época conseguimos alcançar clientes sem verba de marketing. Agora em 2016 usamos a mesma técnica e o resultado veio muito rápido. Muitos clientes e muitos processos.  Para vocês terem uma ideia, essa é a imagem que foi postada no Blog do LegalNote com os números da empresa em 2016:

O que aprendi gerenciando 3 produtos em 2016 - Fernando Alves

E pra todo número grande que você vê aí, tivemos um desafio de infra-estrutura. Desafios de escalabilidade, provisionamento de instâncias, controle e gerenciamento de filas, performance de banco de dados, monitoramento, performance de buscas, milhões de tasks, alta carga de emails e mais…

O bom é que todo problema traz consigo uma oportunidade pra aprender. Aprendi muito esse ano, muito mesmo, muito sobre performance, sobre escalabilidade, sobre AWS e principalmente sobre gerenciamento. Quando você é um chefe muito técnico existe uma grande possibilidade de você focar em desenvolver, afinal você é um cara mão-na-massa, mas na maioria das vezes isso não é o melhor pra você, nem para sua empresa. Você como gestor precisa o tempo todo facilitar para que as pessoas ao seu redor se desenvolvam. E o grupo sempre vai chegar mais longe que você, não importa quão bom você seja. Você precisa usar o seu conhecimento para alavancar a produtividade e o conhecimento das outras pessoas. Elas precisam melhorar o tempo todo e você também (Por isso fiquei emocionado ao ver a retrospectiva de final de ano de um cara brilhante que trabalha com a gente e ter lido a retrospectiva dele do ano passado)

Facilitar para que as pessoas se desenvolvam envolve:

  • Aumentar gradualmente o desafio que elas devem resolver
  • Estar disponível para conversar e tirar dúvidas
  • Se livrar dos impedimentos
  • Ouvir muito
  • etc

Só o que tenho aprendido como gestor dá mais alguns posts que prometo escrever esse ano.

Voltando ao ciclo, junto ao crescimento do LegalNote nós lançamos o Diligeiro. Primeiro a API ficou pronta, depois veio o lançamento do aplicativo Android, do WebApp e no segundo semestre lançamos o app para iOS

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Almoço de lançamento do Diligeiro para iOS

Produto diferente, desafios diferentes. Logo aprendemos que os usuários queriam um chat in-app. Que foi a primeira feature a ser desenvolvida com o app já em funcionamento. Ficou tão legal, que outro dia mostrando para um pessoal no DevBeers tive que ouvir um “que é isso? é o Whatsapp?”

E foi através do Diligeiro que tive uma das minhas experiências mais gostosas como empreendedor. Há alguns meses precisei ir para Belo Horizonte participar de uma audiência. E conhecem aquela frase americana: Eat your own dog food, então a advogada que ia participar da audiência comigo na cidade foi contratada pelo aplicativo. Tudo correu bem, fomos à audiência e depois de sair do fórum a advogada me disse que estava praticamente só trabalhando como correspondente e utilizava o Diligeiro pra trabalhar. ( Explicando sucintamente: O Diligeiro é o Uber pra correspondentes jurídicos). Um mês depois recebi a decisão do Juiz através do LegalNote. Viagem completa dentro dos produtos da própria empresa, levantei comemorei, todo mundo bateu palma e a sensação que eu tive foi de uma vitória muito grande. E o diligeiro tem novidades por aí…

Caramba, ainda não parei de escrever…mas vamos lá. Dezenas de Milhares de pessoas físicas começaram a querer usar nossa ferramenta para advogados! Então porque não dar a essas pessoas o que elas querem?

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Assim começamos a desenvolver um novo produto e lançamos agora no final do ano. É o SeuProcesso.com. Um court monitor para pessoa física.

Nossa corujinha

Ano que vem vocês ouvirão eu falar muito mais sobre o SeuProcesso.com

E como nem só de trabalho viverá o homem, pessoalmente esse ano foi incrível pra mim. Fiz o meu primeiro mergulho e foi uma das experiências mais extraordinárias que já tive. Viajei sozinho, fiz longas trilhas só ouvindo a natureza, fui em muitos parques, nadei, cantei, dormi, chorei. Li um livro que mudou minha vida (The Will Power Instinct) pq foi através dele que comecei a praticar meditação diariamente e o simples fato de sentar e respirar me deixa mais tranquilo, mais consciente de como estou me sentindo e olha que a vida inteira eu achava que isso era bullshit, só tentei dar uma chance ao HeadSpace pra começar a gostar e sentir diferença na minha vida. E o principal de tudo…foi o ano do Guanciale

Muito obrigado, 2017 tem mais!

2o Hangout Empreendedorismo Python Brasil

O pessoal do grupo Python Brasil está começando a fazer hangouts semanais pra falar sobre Python e Empreendedorismo e hoje participei do 2o Hangout. Falei um pouco sobre minha experiência e tentei falar alguma coisa sobre a importância do programador também ser um empreendedor.

Tentei falar, porque eu não tinha planejado o que falaria, só rabisquei alguns tópicos no caderno, mas aqui no blog eu posso detalhar um pouco o que eu pensei e colocar uns links também.

Esqueci de citar um dos links principais que gostaria, que é o curso How to Start a Startup do Sam Altman, CEO do YCombinator

Vídeo da Apresentação:

 

Curso

Notícias

Links dos Projetos

Podcasts

Livros

Outros Links

Bônus

De esgotado a empolgado. O que deu certo aceitando um desafio em 2015

“Não será fácil. Mas você já fez coisas difíceis antes.” *

Depois de 10 semanas no vale do silício conversando com investidores, programadores e empreendedores de tecnologia, percebi que o produto que tinha me dedicado por mais de um ano não fazia mais sentido pra mim.

eeeee. nope!

 

Comecei 2015 exausto. Depois de vários anos empreendendo estava me perguntando se era hora de prestar um concurso público ou trabalhar “na minha”.

Pensei em desistir de empreender, pensei em como é difícil tirar algo do papel e sabia que se quisesse empreender teria que passar por várias etapas pelas quais já tinha passado algumas vezes nos últimos anos. Mas as vezes não adianta querer fugir, e o que foi uma simples conversa informal que tive com o Dr Antônio Maia no EC14 acabou se transformando num convite para ser sócio de uma empresa com ideias bastante ambiciosas para transformar a área jurídica no Brasil. As ideias eram excitantes e boas demais para serem preteridas e resolvi então abraçar mais um desafio como CTO de uma empresa de Legal Tech.

Studying law. making a responsible choice for my future

Quem já foi CTO no início de uma startup sabe como é difícil você dar os primeiros passos. Estudar as necessidades de um mercado que não é o seu, planejar as estruturas, começar a escrever o código e o principal e mais difícil: Montar um time de excelência.

Não tem todo mundo, mas tem bastante gente

Não tem todo mundo, mas tem bastante gente

Existe um provérbio grego que diz que O início é metade de qualquer ação. Acho essa metáfora linda, pois não é pra tanto, mas mesmo assim começamos do zero na última semana de fevereiro/15 com uma única posição dentro de um escritório de advocacia e estamos terminando o ano com um conjunto inteiro na Av. Paulista, um time lindo de desenvolvimento, um stande e  apresentação na maior feira da nossa área, com um produto lançado, o LegalNote, crescendo rapidamente com mais de mil usuários cadastrados e milhares de processos e com o nosso outro produto o Diligeiro correndo na fase final de desenvolvimento.

Trabalhamos até a véspera da véspera de ano novo, empolgados por todas essas conquistas que não foram fáceis e eu tenho a certeza de que daqui pra frente tudo continuará sendo difícil, mas nós podemos olhar pra trás e ver que já fizemos coisas difíceis antes.

Muito obrigado à todos! Um excelente 2016!

Um obrigado especial a todos que trabalham duro comigo:

Chuckeeey
Daniel , o mago das regex
Derek Oedenkoven
Dr Antonio Maia
Dr Fabio Abrahao
Gui AMS
Marcus Beckenkamp
Vitão Jar Jar
Gustavo UX
Rafael, o lendário!
Muller #Zueiro
* Li essa frase em algum lugar essa semana e achei fantástica.

E quando uma empresa gigante resolve virar sua concorrente?

Você cria um produto, vira pioneiro em uma área, corre todos os riscos e fica cheio de incertezas, tanto suas, quanto dos clientes confrontados com “A novidade.”

Imagine que nesse cenário, um pequeno grupo abraça aquilo que você fez, ama o seu projeto e você conseguiu criar algo dentro de uma comunidade.

De repente, o gigante acordou, imagine um gigante mesmo, a própria Apple. E ela aprova sua ideia. Aprova tanto que resolve criar uma versão própria do seu produto.

Agora a Apple é sua concorrente!

Steve Jobs - Doctor Evil

E aí, senta e chora?


Isso aqui não é uma anedota, é um caso verídico.

Os criadores do smartwatch Pebble já passaram por vários perrengues, foram acelerados pela YCombinator, o projeto não foi pra frente, não conseguiram levantar capital porque eram uma empresa de Hardware, depois concluíram com sucesso uma campanha no kickstarter e por fim foram lançando e evoluindo o Pebble, tudo a partir da ideia do Eric Migicovsky de criar um display de relógio que mostrasse as notificações do celular.

Bom, imagine a cabeça desse cara quando o Google resolveu lançar o próprio smartwatch e quando a Apple resolveu lançar o Apple Watch.

Agora imagina como ele se sente, vendo que um concorrente desse tamanho, um gigante, está mais abrindo mercado para eles do que prejudicando.

E pode ser que um dia o Pebble se torne tão grande e vire realmente um competidor do Apple Watch. Quem sabe…

 

Por quê estou falando tudo isso?

Porque com o lançamento do Apple Watch muita gente que não tinha ideia do que era um SmartWatch acabou descobrindo o que é isso e, independente de descobrir através da Apple, puderam também se interessar e ir atrás de outros modelos, conhecendo o Pebble, que Dobrou suas vendas!

Veja: Aparentemente Apple Watch ajudou a DOBRAR as vendas do Pebble

 

Me inspirei pra escrever no post do Diogo Novaes no facebook. Aliás, um cara que vale muito a pena seguir.

Um pequeno prazer de uma startup que não deu certo.

 

Quem nunca teve uma empresa que não deu certo, que atire a primeira pedra.

Sempre gostei de empreendedorismo. Eu gostava de ler matérias sobre empresas, gostava de ir nas empresas dos meus pais e gostava dos filmes dos anos 80 estilo Jerry Maguire. Minha família sempre foi empreendedora. Meu pai teve de loja de material de aquarismo até distribuidora de salgadinho de bar, meu tio construiu a maior rede de salões de beleza da zona norte e até hoje não se passa uma semana sem que minha mãe me fale uma ideia nova que ela teve (Se eu publicar alguma, ela me mata). O fato é que o empreendedorismo está no meu sangue.

No final de 2011, eu e meu amigo Daniel resolvemos montar uma startup. Na ocasião eu tinha um site que revendia instrumentos musicais. Nada muito formal, mas era uma escola pra mim. Estava ganhando dinheiro, me mantendo, tive a oportunidade de largar um emprego público e fazer mais dinheiro em casa de cueca do que indo perfumado até o prédio da FEA. Falar sobre a Apoio Musical levaria até mais de um post sobre os 2 anos que eu a mantive no ar e ela me manteve.

Bom, montamos essa startup porque estávamos vidrados em Crowdsourcing. Queríamos muito, que o crowdsourcing fosse um jeito de dar às empresas a oportunidade de gastar pouco pra ter ideias de qualidade e de dar às pessoas a oportunidade de trabalhar em projetos de grandes empresa, mostrando seu potencial.

 

O primeiro problema que enfrentaríamos era o do ovo e o da galinha: como teríamos empresas sem ter pessoas interessadas em anunciar e como teríamos pessoas pra participar dos desafios sem ter empresas com desafios?

Enfim, resolvemos começar buscando às pessoas. (O que hoje eu acredito que não foi a melhor estratégia).

Pra alcançar essas pessoas nós resolvemos criar um Desafio com Ideias que pudessem melhorar a cidade de São Paulo. Chamamos isso de Desafio São Paulo.

Criamos um aplicativo para o facebook pra poder receber as ideias, já que ainda não tínhamos uma plataforma criada e não me lembro como alguém gostou do desafio e ele foi parar no Catraca Livre.

ideias-na-mesa-catraca-livre

Isso foi o suficiente pra várias pessoas entrarem no Desafio. Nisso tivemos um outro problema: Como escolher qual ideia é a melhor? E nisso, a CAOS Focado que é uma empresa de consultoria nos ajudou criando um método objetivo pra definir quais eram as melhores ideias (eu deveria ter filmado pra mostrar quão genial foi o Miguel Chaves resolvendo isso pra gente).

A startup como você já previu no começo do texto, escafedeu-se, fizemos o desafio, não conseguimos fechar com nenhuma outra empresa um desafio sequer, apesar de negociar durante meses com uma empresa grande da área de turismo. Então o que eu estou comemorando aqui como um pequeno prazer? Olhe as ideias escolhidas como as melhores para São Paulo no nosso desafio e pense no que mudou em São Paulo de 2012 para 2015.

  • Ciclo Faixas com acesso a CPTM nas marginais
  • Menos vagas de rua para carros
  • Ruas de lazer aos domingos
  • Transporte Coletivo 24 horas
  • WiFi gratuito em locais públicos

Isso tudo começou a mudar em São Paulo e vai continuar mudando porque agora já é tendência. Se quiser ter certeza, confere meu post original de quando eu publiquei o desafio em março de 2012:

 

http://blog.ideiasnamesa.com.br/desfile-das-campeas-desafio-sao-paulo/

9 Dicas de Como Ganhar Hackathons

Como ganhar hackathons parece um título bastante pretensioso, mas minha intenção é compartilhar o que aprendi nos 8 hackathons que já participei.

A primeira vez que participei foi em 2013 no Google Developer Bus, de lá pra cá acabei gostando da ideia e só no ano passado participei de mais 7 hackathons, 3 deles no Vale do Silício.

Pra quem não sabe, hackathon é uma maratona hacker, maratona de programação ou simplesmente um motivo pra juntar um monte de programadores em um lugar e virar uma ou mais noites programando, comendo pizza e bebendo cerveja.

Desses hackathons que participei fui premiado 3 vezes e é muito legal ganhar, as vezes você ganha dinheiro, as vezes um gadget, mas se for pra participar só pelo prêmio esqueça… Na maioria das vezes o prêmio é menor do que o valor das suas horas trabalhadas. Então o objetivo é a diversão, o networking e o aprendizado.

 

1 – Estude o Hackathon Antes

Existem 2 tipos principais de hackathon: Os voltados para programação e os voltados para startups. Se você souber de antemão em qual tipo de hackathon você está se metendo já poderá poupar muito trabalho e/ou estresse. A maioria dos hackathons mostra quem serão os juízes e de olho neles você já consegue saber com o que eles estão envolvidos.

Hackathons voltados para programação vão exigir mais do aspecto técnico do seu Hack, o demo será muito importante e ele precisa estar funcionando.

Hackathons voltados para startups estão preocupados com o modelo de negócio do seu projeto. Nesse tipo de hackathon é comum apresentações com slides, sem demo, com produtos inacabados e é possível ganhar apenas com uma apresentação. Não adianta se espernear, vários juízes que não são técnicos não sabem avaliar se o que você mostrou está funcionando ou se é uma animação no power point.

Como o Gabriel Pugliese me lembrou, é bom também ficar de olho nas Regras do Hackathon, podem ter regras específicas quanto ao software que você pode utilizar, se você precisa ou não deixar o projeto aberto no Github, etc…

Outro ponto importante são os critérios de avaliação do hackathon. Os critérios podem ter pesos e se o seu objetivo é ganhar, então foque nos critérios.

classificacao

Nem sempre o grau de desenvolvimento é o critério com maior peso. Participei do Samsung Ocean Hackathon no ano passado e esse era um hackathon um pouco diferente, ele teria apenas 11 horas de duração incluindo a apresentação e o julgamento, no final das contas tinha umas 9 horas de duração. Os critérios para julgamento eram Inovação, UX e Desenvolvimento e a maior nota de Inovação chegava a 9320 pontos enquanto a de desenvolvimento chega apenas a 200. É claro que com um número baixo de horas para programar eles não priorizariam o desenvolvimento, porém eu e meu grupo não nos atentamos às notas dos critérios. Escolhemos uma ideia sem muita inovação para podermos desenvolver em um tempo curto e conseguimos a maior nota de desenvolvimento mas ficamos em sétimo lugar. Detalhe: A equipe vencedora ficou com a menor nota de desenvolvimento. Mas os critérios eram claros e estavam escritos, nós não estudamos o projeto antes =/

2 – Tenha um bom Time

Você pode ser um Solo Developer, pode ser o melhor Full-Stack dos sete Mares ou ainda ser o maior jogador de squash do mundo. Em um hackathon você vai precisar de um time.

Até porque na maioria dos hackathons é obrigatório ter um time e é uma experiência muito bacana, vocês se xingam, jogam a culpa um no outro, cantam musiquinhas irritantes, assistem um monte de youtube poops e ainda por cima programam.

Se você puder ir com um time formado, chame pessoas que já trabalham bem com você, que vão se comprometer, segurar a barra quando você não aguentar mais e que seja divertido passar mais de 24 horas acordado ao lado delas.

No primeiro hackathon que fui tivemos um problema com um cara do time. Os times eram escolhidos numa espécie de sorteio. Cada pessoa que era sorteada escolhia uma ideia na parede e quando se juntavam 4 pessoas de áreas diferentes o time estava formado. Eu entrei como back-end developer, tinhamos uma frontend, um gerente de projetos e um designer. O designer era um cara super difícil, não deixou a frontend trabalhar, quis fazer o frontend sozinho, não aceitava nenhuma ideia, criticava tudo e tornou a vida de todo mundo um saco durante quase 3 dias, mas mesmo assim a experiência foi super válida, dezenas de kit-kats, várias amizades e contatos importantes e de quebra eu aprendi a usar o Django non-rel com o AppEngine.

Em quase todas as vezes que o time podia ir montado eu fui com o Roberto Civille, o cara já ganhou tantos hackathons que o pessoal já está chamando de Serial Hackathon Winner.

3 – Know Your Shit

Você não pode chegar completamente despreparado para um hackathon. Há espaço para aprender muitas coisas, mas não chegue com um ambiente recém formatado sem sua IDE preferida, sem os programas que você vai usar e sem saber como instalar coisas novas. O tempo é seu inimigo durante o hackathon. Se você perder uma hora pra configurar alguma coisa ou instalar o Phonegap no windows pode acabar sendo prejudicado e vai acabar irritando o pessoal do seu grupo.

4 – Tenha uma boa Ideia

Fácil falar, difícil de colocar em prática. Depois que você começa a frequentar hackathons você percebe que algumas ideias SEMPRE se repetem, principalmente nos hackathons voltados para startups. Tem a WishList, tem o Guia de Baladas, Compartilhamento de Eventos entre amigos, etc… Depois de alguns hackathons você vai ver que as ideias se repetem e vai ver que você mesmo tem essas ideias, elas são simples, são as primeiras ideias que vem à cabeça. Pensar na ideia não é perder tempo. Gaste o tempo pensando e discutindo a ideia, estude as APIs dos patrocinadores, quais terão que ser utilizadas, veja qual tipo de integração seria legal que existisse entre elas. Se for uma coisa útil, ótimo. Se não for, que seja divertida!

No começo de setembro eu participei do Techcrunch Disrupt Hackathon e vencemos na categoria Melhor uso da API do Concur. A ideia partiu do Roberto, que queria ser lembrado de lugares que ele já tinha visitado em San Francisco. A partir dessa ideia, resolvemos desenvolver o mínimo que daria para provar o conceito em apenas 24 horas. Como eu tenho experiência com softwares e APIs de viagens como Sabre, Expedia e Regente eu acabei ficando com a API do Concur e o Roberto com a API do Evernote. Fizemos o BizMem um aplicativo que juntava todas as notas que foram criadas pelo usuário quando ele estava viajando e juntava com as informações de viagem fornecidas pela Concur, assim poderíamos melhorar a experiência de Viajantes à negócios. O pessoal do Evernote e do Concur gostou muito.

5 – Corte Requisitos

Não tente fazer tudo. Nos hackathons o legal é desenvolver coisas novas e não perder tempo com aquilo que todo mundo sabe. Se o login não for tão importante para o core do que você quer mostrar então corte o login. Se você não é viciado em testes, corte os testes. Corte o monte de ideias que vocês tiveram e deixe só o que dá pra fazer. Conforme o desenvolvimento for se desenrolando fique atento ao relógio, se estiver demorando demais em uma tarefa, veja se você não vai ter que compensar mais na frente ou se você terá que cortar aquela tarefa.

6 – Faça Perguntas

Como todo bom programador você deve estar acostumado a procurar pelas respostas sozinho. Ler documentações, perguntar no StackOverflow, abrir Códigos Fonte e etc. O problema é que as vezes a resposta para o que você busca não está tão fácil de achar e na maioria das vezes existe um developer advocate da API do patrocinador pronto para te ajudar durante o hackathon. Perguntar para esse cara é sempre uma boa ideia, primeiro porque ele tem mais experiência com aquela API do que você, segundo porque é uma forma de mostrar pra ele (que comumente é um Juiz) o que você está fazendo. Esses caras podem contribuir com dicas muito úteis sobre a sua ideia e sobre o desenvolvimento, não desperdice esta oportunidade!

Além disso, pergunte para outros participantes, converse com eles, vá tomar café, coma junto com eles, tente se entrosar, afinal todo mundo ali tem pelo menos alguma coisa em comum com você, assunto é o que não vai faltar

7 – Make it Work, Bitches!

Faça seu demo funcionar. Parece idiota, mas por incrível que pareça, em todos os hackathons que eu fui vi pessoas apresentando algo que não funcionava, ou porque viajaram demais na ideia, ou não sabiam usar a tecnologia que escolheram ou não souberam manejar o tempo cortando requisitos iniciais.

Só não vai queimar o fusível aí, o networking é muito importante. Trabalhe de forma inteligente pra fazer funcionar mas aproveite pra curtir a oportunidade de estar com outras pessoas.

8 – Spread the Word!

Teve a sua ideia e está conseguindo desenvolver? Comece a falar sobre ela! Mostre para os outros grupos, mostre para os patrocinadores, mostre para os juízes, o importante é você aproveitar a maior contribuição que eles podem te dar que é o Feedback. As apresentações geralmente são muito curtas e o seu produto pode não ser tão bem explicado naqueles poucos minutos que você vai falar, ou talvez você não apresente bem em público, então é melhor já mostrar seu produto pra todo mundo antes da apresentação. Se possível monte uma marca, faça as pessoas lembrarem do que você fez.

Em março de 2014 eu participei do API HackDay que era promovido pelo Twitter e pelo SendGrid. Nós inventamos um produto que chamamos de Vai Bilu, a ideia era poder fazer coisas pela internet usando apenas o email ou o twitter, porque alguns planos de celular dão acesso irrestrito ao Twitter ou ao seu E-mail. Fizemos em homenagem ao ET Bilu e ficamos o final de semana todo falando com a voz aguda do ET. No final das contas, ganhamos em primeiro lugar no Hackathon e todo mundo sabia o que era o Vai Bilu, estavam imitando o ET Bilu também e se divertindo com a gente. Virou uma marca! A fórmula deu tão certo que resolvemos homenagear o ET Bilu em mais duas ocasiões, no Angel Hack com o Toca Bilu (um brinquedo feito com Arduino) e no VemBilu uma espécie de Tinder para Estudar que ganhou em primeiro lugar na categoria Educação no Hackathon da CJE – FIESP

9 – Participe!

Quando o Andrés Sanches assumiu o Corinthians ele foi perguntado como ia fazer pra que o Corinthians ganhasse uma Libertadores e a resposta dele foi: Primeiro temos que participar mais! Depois disso o Corinthians se classificou várias vezes seguidas para a Libertadores e foi Campeão da Copa Libertadores da América de 2012.

Para ganhar hackathons você precisa fazer a mesma coisa: Participar! Óbvio que você não vai ganhar prêmio em todos, mas com certeza você vai ganhar outras coisas como conhecimento, networking, Freelas e fazer amigos.

Você pode ficar por dentro dos Hackathons nas comunidades do facebook como a Hackathons Brasil e dar uma olhada no Challenge Post

Bônus – Não se misture com a gentalha

Muitas pessoas querem só se aproveitar, principalmente dos mais inocentes. São pessoas que vão em um hackathon com uma Ideia já pronta, não sabem programar mas querem desenvolver um MVP de graça. Fique atento com essas pessoas, na maioria das vezes elas não querem que você contribua com ideias, querem só sua força de trabalho.

Já vi isso acontecer várias vezes e na maioria das vezes essas pessoas conseguem o que querem prometendo parcerias e etc. Tome cuidado! Vi isso até nos Estados Unidos no DataWeek + API World Hackathon. Nesse evento duas pessoas vieram com ideias e falando que não sabiam programar, como eu já tinha visto isso acontecer, disse que não tinha interesse e vi que essas pessoas passaram por todas as mesas antes de irem embora.

Bônus – A apresentação

Na hora de apresentar mostre o seu demo funcionando. Deixe que as pessoas o testem. Responda as perguntas que foram feitas antes, quando você recebeu o feedback dos outros participantes do hackathon. Fale das APIs que você usou, mostre o que aprendeu e faça a apresentação ser legal, afinal todo mundo está cansado de ficar ali.

O principal na hora da apresentação: Nunca confie na Internet. Pode ser que não tenha na hora da apresentação e dê tudo errado, tenha o que você precisar rodando localmente também, se der algum problema você mostra a versão local e sem crise.

Fizemos um hack muito legal, o NewsMood.me, que mostrava o humor das notícias relacionadas a um termo e na hora da apresentação a internet falhou, ou seja, não deu pra apresentar =(