Com tecnologia a gente se acostuma

Muitas tecnologias que utilizamos hoje de forma banal pareciam estar longe pouco tempo atrás.

Tecnologia de reconhecimento facial #VRDemoNight

Conversando com um amigo, lembrei da época em que eu imprimia a documentação de coisas do trabalho para ir lendo nas duas horas de ônibus que enfrentava da USP para a minha casa. Lembro de ter lido a documentação inteira do Django assim. Nos dias que não dava pra ir sentado aproveitava para ouvir podcasts de inglês do ESLPOD que precisavam ser baixados no site e transferidos manualmente para um MP3 Player. Lembro como se fosse ontem de que nessa época a gente já sabia que a internet viria pra palma da mão de todo mundo, só não era para o nosso bico ainda. A tecnologia estava pronta, só era uma questão de tempo e dinheiro.

Um outro exemplo é o Instagram e o monte de funcionalidades que eles lançaram nos últimos anos. Faz apenas 6 anos que fui na sede da Unity em San Francisco para um meetup de Realidade Virtual. A primeira vez que tive contato com as tecnologias de mapeamento do rosto pra criar essas animações insanas usadas nos filtros. Só 6 anos. Hoje todo mundo tem na mão.

Treinamento Jedi com Oculus Rift

O que será diferente daqui a 6 anos? Quais outras tecnologias? Carros autônomos? Mais realidade aumentada? Mais Wearables? Acho que tudo isso e mais um pouco. Pode até parecer longe, mas é só questão de tempo e dinheiro.

PS: E a covid acelerou a transformação digital.

Crie um produto que as pessoas amem

Escrevo esse texto depois de por várias vezes ter tido problemas com o app da Rappi e mesmo assim continuar tentando usar. Eles resolvem um problema tão real que eu, como usuário, consigo não ligar para alguns bugs e mal funcionamento, justamente porque quero muito o serviço que tem ali. Com certeza essa é a primeira coisa pra se prestar atenção quando se vai criar algo que as pessoas amam.

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Usuários que amam um produto se tornam evangelistas dele.

Quando em 2014 passei uns meses no Vale do Silício, eu ouvi essa frase algumas milhares de vezes. Toda startup ou “empresa caloura” como diz um amigo meu, está ou deveria estar em busca da construção de um produto que o usuário AME. Não é um produto que o usuário goste, nem um produto que o usuário use com frequência, mas sim: um produto que as pessoas amam.

Já pensou como é difícil AMAR um produto ou uma empresa? Para isso essa empresa realmente precisa estar resolvendo um problema de verdade. Uma dor daquelas que realmente incomodam. Veja que essa é a parte mais importante: enxergar justamente onde você pode mudar a vida/rotina de alguém. Encontrar essa dor é mais importante que as ferramentas que você usou, que o produto “acabado” ou que o tamanho do seu mercado.

Você conhece algum produto assim? Perguntei para pessoas próximas quais sites ou apps elas amam e as respostas foram essas: Waze, Strava, iFood, Inbox (que inclusive será descontinuado pelo Google) e muitos outros, sem contar os clássicos como o iPhone, iPod, Steam, etc… Pode ser que para você não seja nenhum desses, mas com certeza existe algum aplicativo, ou outro tipo de serviço/produto que você AMA.

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Filas de pessoas para comprar um novo iPhone

Encontrando um problema para resolver

Sempre que você se depara com uma dificuldade você está diante de um problema que você pode resolver. A questão é se ele vale a pena ser resolvido. Você pode achar que vale a pena criar mais uma marca de surf e que as que existem são poucas; ou você pode descobrir que bancos são irritantes para pessoas jovens e tentar construir um banco que atenda essas pessoas.

Além desses problemas em um nível macro, você encontrará muitos outros menores que ainda não estão bem resolvidos. Pode ser que na empresa que você trabalha existe um processo manual que poderia ser automatizado. Por quê não pensar nisso como um problema a ser resolvido? Talvez você possa automatizar isso para várias empresas e passar de funcionário para fornecedor. Coisas como essa acontecem bastante e muita empresa de sucesso foi criada assim, aproveitando um problema que precisava ser resolvido para outra empresa, mas que não era o core do negócio.

Resolvendo o problema

Independente do problema que você encontrou, a primeira coisa que você vai fazer é se tornar um especialista naquele assunto. Consuma o máximo de conteúdo que puder sobre aquilo, leia livros, assista vídeos, vá em eventos e aprenda sobre o problema que você encontrou. É realmente, um problema? Existe para mais alguém? Não é só algo da sua cabeça? Muitas vezes ficamos tão obcecados com nossas próprias ideias que não conseguimos apreender sobre o mundo ao nosso redor. Não fique fechado em seu casulo, converse com outras pessoas, pense se vale a pena investir nessa solução. Se você chegou a conclusão de que é necessário resolver aquele problema então chegou a hora de trabalhar em cima do seu primeiro protótipo: o produto mínimo viável.

Criando um MVP para validar uma hipótese

MVP é uma sigla muito famosa e pouco entendida. É o Minimum Viable Product ou Produto Mínimo Viável, em português. O MVP é um protótipo. É um experimento para testar uma hipótese. O mais importante nesse passo não é o MVP em si, mas sim o teste da hipótese.

A primeira coisa a se fazer é criar uma hipótese. Vamos imaginar como poderia ter sido a hipótese da NetFlix, no final dos anos 90. O cenário era de pessoas que se locomoviam até grandes locadoras para escolher filmes e depois de um ou dois dias, deveriam voltar na locadora para devolver o filme assistido. Imagine que a NetFlix achava um porre ter que sair de casa para alugar e ter que ir depois para devolver. Caso não devolvesse no prazo, as locadoras cobravam uma multa. Então, suponhamos, que a NetFlix montou a seguinte hipótese: “Já que nós acreditamos que as pessoas não querem ir até uma locadora, se oferecermos um aluguel de filmes em casa, elas vão usar o nosso serviço”.

Agora, com a hipótese em mãos, vem o MVP da Netflix. Para testar essa hipótese foi criado um catálogo de DVDs que eram entregados pelo correio. Você recebia o catálogo, pedia o filme por telefone e alguém entregava e depois vinha retirar o filme. Simples assim.

Veja, o MVP foi suficiente para testar a hipótese e para fazer o mais importante: Colocar a empresa em contato com os early-adopters, ou seja, os primeiros usuários. As pessoas que tem aquela dor latente de querer ter aquele problema resolvido e não ligam se seu serviço apresenta algumas falhas no começo, contanto que você esteja resolvendo o problema delas.

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Exemplo de construção de um MVP, entregando valor para o cliente em cada iteração

Ouvindo os clientes para começar tudo de novo

A construção do MVP abre o contato entre sua empresa e seus clientes e essa é a parte mais importante para construir um produto que as pessoas amam. Primeiro, você precisa se despir do que você acha que sabe sobre o mercado ou sobre seus clientes. Você precisa escutá-los atentamente e observar como esses clientes usam e se relacionam com seu produto/serviço.

Esse é o momento de entender o que realmente importa para os usuários. Como você pode economizar ou criar tempo, dinheiro e recursos para eles. Como o usuário tem resolvido aquele problema sem a solução que você está oferecendo. Você melhora ou piora o processo dele? Ele está disposto a pagar por essa solução ou quando está de frente com um boleto acredita que aquele problema não era tão grande assim?

Repetindo o processo

Tanto faz se sua hipótese foi validada ou não. Em qualquer um dos casos você vai ter aprendido coisas novas nesse processo. Aprendido sobre seus usuários, sobre o mercado, sobre o seu próprio produto. Então é hora de partir para uma nova hipótese. Trabalhe em um novo MVP e parta para um novo ciclo.

Cada vez que você completar o ciclo você está iterando sobre ele, ou seja, você está utilizando todo o feedback que recebeu dos usuários e colocando como insumo sobre o mesmo processo de desenvolvimento do produto. Esse processo, segundo os princípios de Lean Startup (Startup Enxuta) é o Build-Measure-Learn (Construir-Medir-Aprender).

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Ciclo Build-Measure-Learn (Construir, Medir, Aprender)

O processo de construir, medir e aprender é o que vai garantir que você esteja construindo algo que as pessoas amem. Não é o seu instinto, não é o que você acha e não é o quanto você cobra. O processo vai garantir que a cada novo passo na construção do seu produto você esteja avançando na direção certa, na direção que traz mais resultado para os seus clientes.

Exercitando o método

Todo esse processo da Startup Enxuta se assemelha a um método científico. Você tem suas suposições e cria experimentos para testá-las. De acordo com o que você aprendeu com esses experimentos você confirma ou muda suas ideias iniciais, sem crise e sem dogmas.

Um exercício interessante para quem quer empreender é tomar nota de coisas que você vê no seu dia a dia sobre problemas e soluções existentes. Tente responder as seguintes perguntas no seu dia a dia:

Para conhecer outros produtos:

  • Qual problema esse produto/serviço resolve? Como isso era resolvido antes? A solução proposta é melhor e mais confiável que a anterior?
  • Quais produtos eu sou um early-adopter, uso mesmo que eles não estejam 100% prontos e apresentem problemas de vez em quando?
  • Quais novos lançamentos eu presenciei em serviços/produtos que trouxeram novos benefícios para mim e outros usuários?

Para treinar com as suas ideias:

  • Qual problema eu estou enfrentando que não tem uma solução boa e confiável o bastante?
  • Quem seriam os early-adopters, ou seja, pessoas que também enfrentam esse problema e estariam dispostos a testar uma nova solução?
  • Qual o MVP que eu poderia criar para ter certeza que tenho um problema real e que os early-adopters estão dispostos a usar meu MVP e pagar por ele, mesmo que incompleto?

Longe de ser um assunto novo, mas é sempre importante relembrarmos as bases. Escrevi despretensiosamente, mas gostaria de saber quais outros produtos/serviços vocês sentem que são early-adopters e usam mesmo quando enfrentam dificuldades para fazer o app funcionar?

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4 Melhores Podcasts sobre Tecnologia e Startups

Ouvir Podcasts é uma forma muito eficiente para se manter por dentro do que acontece na sua área.  Ouço vários Podcasts sobre tecnologia e startups, além de outros temas e tenho certeza que eles são importantes para que eu continue atualizado no meu ramo. Estar informado pode ser a diferença entre ser bom e ser ótimo.

Para quem não conhece, podcast é como um programa de rádio com a diferença de que você pode ouvir quando quiser, escolher os episódios e sempre ficará sabendo quando publicarem um programa novo. Podcast não é novidade mas não chegou a virar mainstream no Brasil ainda. Vai crescer muito este ano.

Meu aplicativo para assinar (baixar e ouvir) podcasts é o PocketCasts ele é pago, paga uma vez só e usa todos os dias, mas existem várias outras opções gratuitas aí para quem não quiser desembolsar os R$ 12 reais. Bora pra lista:

Hipsters.tech

logo do podcast hipsters.tech

Apesar do nome péssimo, clichê e modinha é na minha opinião o melhor podcast brasileiro. Tem um episódio por semana e é um programa muito bem formatado. Normalmente os episódios tem menos de uma hora e variam sobre desenvolvimento, design, empreendedorismo, etc.

Esse é um dos episódios que gostei bastante sobre Squads. Você pode dar uma olhada em outros episódios no site deles https://hipsters.tech

Software Engineering Daily

software engineering daily logo

Esse é um podcast gringo (em inglês). Eles soltam um episódio por dia útil, ou seja, é daily mesmo. Mesmo que não dê para ouvir todos os dias é bom ficar por dentro e olhar o que eles já fizeram. Tem entrevistas com gente da área de tecnologia e de startups, normalmente engenheiros e empreendedores de empresas renomadas e criadores das tecnologias que estão sendo discutidas. Você pode ver os episódios aqui

Talk Python to Me

talk python to me podcast logo

Esse podcast é mais específico para pythonistas, mas quem não gosta de python? Tem participações de caras muito fodas da comunidade como Kenneth Reitz, David Beasley e até do Guido Van Rossum.

O site é esse aqui: https://talkpython.fm/ . Meu único problema com esse podcast é que ele tinha a melhor música de abertura de qualquer podcast até o meio do ano passado, depois entrou uma música chata =P

Like a Boss

like a boss podcast logo

Esse é um podcast dos mesmos criadores do Hipsters. O objetivo é “trazer entrevistas com líderes, fundadores de startups e empresas inovadoras” nas próprias palavras deles. Está bem no comecinho, tem apenas 7 episódios.

Gostei bastante dessa entrevista com David Vélez, o fundador do Nubank.

Outros podcasts:

Eu gostava muito do ZOFE (Zone of Front-Enders) , mas infelizmente ele não tem novas publicações já faz tempo. O site está mais desatualizado que o podcast mas ainda assim dá para ouvir conteúdo do passado. Era realizado pelo Daniel Filho, um cara diferenciado que eu sempre via no melhor meetup de front-ends de São Paulo, o FEMUG-SP.

Falando em podcasts antigos, outro que curti bastante mas já não solta coisa nova é o Grok Podcast. Isso que é bom dos podcasts, eles podem ter acabado mas os episódios estão aí para sempre.

Um podcast que eu descobri recentemente foi o Castálio Podcast. Também fala bastante de Python. Por enquanto, só ouvi um episódio e foi sobre serverless. Aliás, dá pra ver o podcast sendo gravado ao vivo no youtube e mandar perguntas para eles.

Mais um podcast gringo que estou esperando ver como vai desenrolar é o Modern CTO. Me parece uma estratégia audaciosa para criar conteúdo para CTOs uma coisa que não se vê todo dia. Estou começando a acompanhar.

Bom, esses foram os meus podcasts favoritos sobre esses temas. Quem tiver outros podcasts que quiser indicar deixe nos comentários.

 

Tanto no pessoal quanto no profissional – Boas práticas do seu trabalho na vida cotidiana

Pedido de casamento em paris

Não é incomum ouvirmos histórias de pessoas que são bem sucedidas no trabalho mas sua vida pessoal é uma bagunça. Maus hábitos, sedentarismo, finanças descontroladas, não tem tempo pra nada e a culpa sempre recai sobre o trabalho.

Dependendo de como for sua rotina, pode ser que a culpa seja do trabalho, mas o mais provável é que a culpa seja sua mesmo. Se está cursando uma faculdade e trabalha 12 horas por dia e dorme pouco pode parecer que não cabe mais nada na sua vida, mas mesmo assim é possível melhorar algum aspecto.

Sempre gostei de estudar e usava isso como desculpa para muitas coisas quando era mais novo, inclusive para não estudar. Como fiz ensino médio e técnico ao mesmo tempo (um de manhã e o outro noturno) eu deixava algumas matérias do ensino médio de lado porque gostava mais dos assuntos de computação. Se fui mal em geografia logo me escorava mentalmente em estar indo bem no curso técnico e dizia pra mim mesmo que se estivesse apenas cursando o ensino médio, teria ido bem em geografia. É o velho e batido “quem quer dá um jeito e quem não quer dá uma desculpa”.

Esse mecanismo mental de compensação é natural do ser humano. No livro The Willpower Instinct, a professora de Standford Kelly McGonigal fala sobre como deixamos que um bom comportamento anterior seja uma desculpa para um mau comportamento no presente. Um fenômeno bem conhecido de quem está tentando emagrecer, logo depois de fazer um exercício acaba se dando de presente um rodízio de pizza. Mesmo que já esteja provado que é muuuito mais difícil emagrecer só fazendo exercícios.

Esse comportamento me acompanhou durante muitos anos. Sempre gostei de me ver como alguém que quer alimentar a mente com conteúdo interessante, estudando, tentando coisas novas e isso acabou sendo desculpa para nunca praticar esportes, por exemplo. Felizmente, tive a oportunidade de conhecer pessoas completas (Mente sã, corpo são). Parece que o dia dessas pessoas tem 40 horas. Elas trabalham, leem, praticam esportes, estudam, mantêm relacionamentos e tem amigos. Com certeza você conhece alguém assim também.

Mesmo assim, há 2 ou 3 anos estou querendo ser como uma dessas pessoas. Não só me dedicar no trabalho, bater metas, entregar resultados e projetos, mas também alcançar os meus resultados pessoais, bater as minhas próprias metas, melhorar em cada aspecto que eu puder melhorar. Pode parecer uma coisa de auto-ajuda e é. (Aliás, sempre desprezei o termo auto-ajuda, sempre me pareceu conversa para boi dormir, mas descobri que de cada livro, palestra ou TED Talk de auto-ajuda que eu assisto mesmo que tenha papo-furado terá algo útil para minha vida pessoal).

O que percebi é que muito das técnicas que usamos todos os dias no ambiente de trabalho para alcançar resultados são simplesmente esquecidas na nossa vida pessoal. Provavelmente sua empresa possui um planejamento, sabe quais são os objetivos, tem uma visão de longo prazo, tem valores, um budget e prioridades definidas. Mesmo que sua empresa não tenha tudo isso, você SABE que ela precisa ter. Por quê então a sua vida pessoal pode seguir dia após dia sem ter planos, metas, sem ter uma visão do que você quer para você e sem ter um orçamento para as áreas da sua vida?

1. Escreva um plano!

Um estudo que saiu no British Journal of Health Psychology fez um estudo com 3 grupos pedindo a cada grupo que fosse à academia pelas próximas 2 semanas. Ao primeiro grupo só foi feito o pedido. O segundo grupo além de ter recebido o pedido, também assistiram vídeos motivacionais (chamaram de grupo motivado). Já o terceiro grupo recebeu o pedido para ir a academia, assistiu os mesmos vídeos do grupo motivado e pediram que eles escrevessem a seguinte frase:

Durante a próxima semana eu vou praticar 20 minutos de atividade física vigorosamente na _____ (local) às __________ (horário)

Esse conceito é chamado de Implementation Intention (Intenção de implementação em tradução livre Fernandística). É basicamente quando você escreve as condições para terminar uma tarefa.

Os resultados foram :

38% do Grupo 1 compareceu à academia na próxima semana.

35% do Grupo 2 (Grupo Motivado)

91% do Grupo 3, o grupo que escreveu utilizando Implementation Intention.

Nunca subestime escrever um plano!

Anote no papel, no Evernote ou em qualquer lugar que você possa acessá-lo novamente depois.

2. Crie um sistema para atingir resultados

Somente focar em bater a meta é inútil. Não confie só na sua força de vontade para fazer você se mexer. Você precisa de um sistema que funcione para diminuir sua energia de ativação para realizar as tarefas até que elas se tornem um hábito.

Eu simplesmente não conseguia controlar o que comia ou bebia quando almoçava em restaurantes, assim resolvi que ia fazer marmitas para levar ao trabalho. Resolvi que ia preparar toda minha comida da semana aos domingos. Ao fazer dieta você começa a pensar que come todos os dias a mesma coisa e tudo vira motivo para ficar enjoado. O fato é que você não varia muito seus alimentos, mesmo quando não está fazendo dieta. Quando li isso no livro do Tim Ferris, The 4 hour body, percebi o quanto usei isso como desculpa para sair da dieta. Então resolvi ver uns vídeos no youtube sobre como preparar várias marmitas para a semana e voilá, cada vez menos falho em me alimentar bem na hora do almoço.

Criar um sistema serve para qualquer coisa, se você quer ler mais você precisa pensar que em determinado momento do seu dia ou da sua semana você vai precisar parar para ler. Se não separar esse tempo, você simplesmente não vai ler os livros que decidiu ler.

Na sua vida profissional você segue um sistema. Pode ser que você tenha que ligar para 10 clientes por dia, pode ser que você tenha que pesquisar 5 fornecedores para cada produto que você vai comprar, não importa. O sistema vai facilitar a sua vida.

3. Priorize

Você acordou 7h30 da manhã, foi no banheiro, levou seu celular, abriu o Facebook, deu uma scrollada, leu umas notícias, leu uns comentários e de repente são quase 9h00. Você já está atrasado, precisa tomar banho e começa seu dia naquela loucura para quando chegar em casa você entrar novamente nas redes sociais, olhar os grupos de WhatsApp, etc. Sua prioridade é essa merda de Facebook, simples assim. Desinstale ele do seu celular, assista menos TV a noite, leia menos jornal de manhã. Essa é a chave para criar tempo no seu dia. Se você gosta de postar coisas na sua rede social use o Hootsuite. Quer ler só o que saiu de interessante no jornal? Se inscreva em uma newsletter como o Canal Meio.

Muita gente acha, ou diz que se informa pelas redes sociais, quando na verdade as redes sociais e grupos estão é cheios de entretenimento e notícias irrelevantes. Aproveitar o tempo perdido nessas ferramentas é priorizar aquilo que você planejou. Acredite em mim, as notícias importantes, os acontecimentos e até mesmo os memes do momento vão chegar a você sem que você precise scrollar o seu Facebook por uma hora de manhã. Aproveite seu tempo no trânsito, arrumando a casa ou na esteira para ouvir Podcasts e aprender coisas novas, ouvir notícias ou ouvir um Audiobook.

Com certeza para ser bem sucedido na sua vida profissional você aprendeu a priorizar entre suas tarefas. Use isso na sua vida pessoal também.

4. Demita as pessoas tóxicas da sua vida

Já faz alguns anos que estou demitindo pessoas que não me acrescentam em nada na vida. Sabe aquela pessoa que quando você conversa com ela você se sente drenado? Pessoas que reclamam de tudo, ou reclamam dos outros, só falam de si, etc. Essas pessoas também tomam um tempo desnecessário da sua vida. Pessoas que em qualquer ambiente de trabalho seriam a maçã podre ou um fofoqueiro. Corte-as sem dó.

Mantendo somente amizade com pessoas interessantes você vai ver que pode aprender muito com elas. Até as notícias importantes que você deixou de ler para se dedicar a outra coisa chegarão a você através desse network bem selecionado de amigos que você vai manter.

5. Bônus: Meditação

Se você é um ateu, agnóstico ou cético pode ser que balance a cabeça ao ler sobre meditação, mas isso é cientificamente comprovado que melhora muito sua qualidade de vida. Não tem a ver com energia, com ki, com cosmo, com nada disso. Meditação é um exercício no qual você foca no agora, no seu corpo, na sua respiração e quando sua mente começa a viajar você percebe isso e volta para o que tinha que fazer. Isso vai melhorar sua produtividade, seu foco, sua resiliência e sua forma de lidar com suas emoções, afinal são partes de ser humano.

Se quiser melhorar tanto sua vida profissional quanto a pessoal comece a meditar. Já falei disso aqui no blog na retrospectiva do ano passado. E se depois de tentar achar que isso não é para você então pare uns minutos na sua manhã e escreva o que estiver na sua cabeça em um caderno. Prestar atenção em você é a importantíssimo!

Minha experiência pessoal

No começo de 2017 resolvi escrever um plano pessoal, pode chamar de resolução de ano novo, pode chamar do que quiser, mas o fato é que escrever o que eu queria para minha vida no ano passado foi extremamente importante para eu ter resultados na esfera pessoal.

Os objetivos que escrevi foram:

  • Chegar aos 88 Kg
  • Fazer atividade física uma vez a cada 3 dias ( ou 120 dias no ano)
  • Participar de uma corrida de 10 km
  • Fazer um curso de Machine Learning
  • Escrever pelo menos 6 posts no blog
  • Casar
  • Fazer uma viagem internacional
  • Fazer aulas de bateria
  • Tirar carteira de motorista
  • Fazer aulas de tênis
  • Economizar dinheiro
  • Ler 12 livros no ano

Todos os que marquei com fonte vermelha são os objetivos que não atingi. Todos os outros eu consegui, alguns até antes do tempo e fui capaz de dobrar a meta.

Lutei com meu peso nos últimos 10 anos, tentei por várias vezes praticar atividades físicas, mas sempre voltava para o sedentarismo. Muitas vezes usando a desculpa de que trabalho muito (50 a 60 horas por semana) e que não dá tempo para treinar. Em 2017 isso mudou. saí de 2016 que não fiz quase nenhuma atividade para 181 dias de atividade física em 2017. Bati os 120 dias em setembro e resolvi aumentar.

 

Para exercício considerei qualquer atividade física que fosse musculação ou aeróbica com 40 minutos de duração. Mesmo assim não cheguei aos 88 kg que planejara porque aprendi um pouco tarde como seguir uma dieta regrada, mas comecei o novo ano pesando 8 kg a menos que no ano anterior, com mais disposição e feliz em praticar atividades físicas diariamente.

 

O sucesso de ter atingido essa meta se deve muito a como eu a escrevi, que foi um pouco mais detalhada que as outras. Com minha meta financeira também fui bem mais específico, fiz um planejamento de como faria para diminuir minhas contas mensais e conseguir fazer minha viagem internacional e guardar dinheiro. Assim consegui no meio do ano ir para Nova York, Barcelona e Paris. Surgiu uma oportunidade boa para viajar com amigos e eu já estava me preparando financeiramente para poder viajar, por mais que não tivesse o plano inteiro pronto. A oportunidade aparece, se você estiver preparado vai poder aproveitar.

Uma coisa muito legal para mim foi conseguir ler os 12 livros. Nunca tinha lido tanto em um ano. Quando cheguei em outubro já tinha lido 8 livros mas achei que não conseguiria ler mais 4 até o final do ano. Achei que era muito! Bom, tive 2 conversas na mesma semana que me motivaram, uma com uma colega de trabalho que disse ler um livro por semana e outra com um colega que fiz no bar o HQBierman.  Comprei um Kindle com backlight para ler deitado antes de dormir, comecei a ir para a cama mais cedo e ler aos domingos e consegui. No último final de semana do ano eu consegui bater minha meta. Hoje me parece que 12 livros foi fácil, esse ano quero ler 16 livros.

Ler foi uma experiência ótima pra mim, foi uma conquista. Eu lembro de assistir uma TED Talk que o palestrante dizia que Líderes são Leitores (Leaders are Readers). Ler é fazer o download da experiência de outra pessoa para a sua cabeça. E não só os livros técnicos são bons para isso, mas qualquer um. Mesmo os livros que não gostei me ensinaram alguma coisa. Esses são os livros que li esse ano:

Quanto à outras metas, muitas não consegui bater por que foram metas idiotas. Jeff Sutherland criador do Scrum diz: Planejar é útil. Seguir cegamente os planos é estupidez. Quando eu decidi que correria 10 km , simplesmente não pensei que estou com condromalacia patelar e que não posso correr antes de ter perdido bastante peso e fortalecido os músculos das pernas. Também não senti tanta vontade de fazer aulas de tênis, simplesmente não quis arranjar tempo pra fazer isso, musculação e bike aos fins de semana estavam sendo legais o bastante pra mim. Até cheguei a procurar por aulas de bateria, mas quando vi os preços vi que não estava com tanta vontade assim.

Das outras metas, apesar de não tê-las concluído elas andaram e isso é ótimo! Estou matriculado em uma auto-escola, já tinha começado a fazer o curso de machine learning ( e assim acabei fazendo um outro curso de gerenciamento de projetos no Coursera)

Quanto ao casamento ainda não saiu, mas pude fazer um pedido à minha noiva em Paris:

Links interessantes:

Forget About Setting Goals. Focus on This Instead.

Ver no Medium.com

 

Por que não produzimos mais Ronaldinhos? Ou por trás dos highlights e a importância do feedback pra se tornar melhor.

Todos os dias milhares de crianças jogam bola pelas ruas. Correm o dia todo e só param quando suas mães gritam para elas irem pra casa pra comer. Se tem tanta gente praticando e treinando porque não aparecem mais Ronaldinhos, por aí?

Por trás dos Highlights

Hoje li esse lindo texto do Ronaldinho.  É uma carta pra ele mesmo quando criança em Porto Alegre.
Quando vemos um texto desses a gente presta muita atenção nos highlights. O momento em que ele é chamado pra jogar futebol no grêmio, depois pra jogar na sub 17, seleção brasileira, PSG, Barcelona, etc.  Mas aí no meio desse texto, por trás de todos esses highlights dá pra perceber o quanto esse cara treinou a vida toda. Desde criança jogava bola incessantemente e sempre com bons mentores.
Ronaldinho gaúcho e seu irmão Roberto
Pessoas falam sobre talento, dom ou predestinação, mas isso é superestimado. Alguém pode ter geneticamente mais facilidade para alguma coisa, sim, isso é um fato, vide Michael Phelps porém pra se tornar o melhor é só com muito treino e feedback o tempo todo.
A construção da carreira dessas pessoas de sucesso é diária. É como num filme sobre empreendedorismo, o cara tem uma ideia, forma uma equipe e eles começam a trabalhar juntos. Depois sempre vem aquela cena em fast motion, que mostra dias e noites passando enquanto eles rabiscam a lousa, mexem no computador, etc ¹… E essa é a parte importante da trajetória, todo esse trabalho feito. Isso não é glamouroso o bastante pra entrar no filme, mas é isso que proporciona o sucesso: trabalho ou treino
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Por que não produzimos mais Ronaldinhos?
Se a prática / treino são tão importantes para garantir o sucesso, então porque não são todos os meninos que jogam bola o dia todo pelas ruas do Brasil que se tornam Ronaldinhos?

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Feedback: Uma breve história sobre MecFlu

Em 2007, no segundo ano de engenharia da Poli, eu cursei uma das matérias mais difíceis que fiz: Mecânica dos Fluidos. Muitos alunos já tinha me alertado que essa matéria era um terror. Que era tricky, que se não se dedicasse bastante não teria como passar.

Eu já não vinha de um semestre muito bom e resolvi estudar MecFlu (como chamávamos). Sempre fui do tipo autodidata e se o professor não for ultra didático tendo a acreditar que aprendo melhor com o livro do que na aula. Então peguei um dos livros recomendados, e li os capítulos relacionados à P1 (primeira prova), montei meu resumo, achei que tinha entendido e fiz todos os exercícios.

No dia da P1, tínhamos 1h40 pra resolver 4 exercícios. Resolvi todos e no final fui conversar com meus amigos…todos chorando as pitangas que tinham ido muito mal e eu não… falei pra eles que achava que tinha tirado um dez, que consegui resolver tudo sem muita dificuldade. Semanas depois saiu o resultado…meus amigos tinham ido mal como esperavam… notas: 3 ….. 2.5 …. 1 e eu tirei um grande e redondo ZERO. 

 

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A importância do feedback pra se tornar melhor

Como eu tirei esse zero tendo estudado e fazendo os exercícios? O livro não tinha respostas. Fiz os exercícios e considerei que os resultados estavam certos, logo não tive o feedback necessário pra ver o que eu precisava melhorar. O único feedback que tive foi o da prova. Já era tarde demais.

É esse o motivo pelo qual não produzimos mais Ronaldinhos. Não adianta você só passar o dia jogando futebol, você precisa ter o feedback se o que você está fazendo está certo. Também para aprender os atalhos e os pontos onde você pode melhorar.

Tem um episódio do Freakonomics Radio ótimo sobre isso, chama-se How to become Great at Just About Anything (tradução livre: Como se tornar FODA em praticamente tudo). Nesse episódio eles debatem as ideias do Malcolm Gladwell, autor de Outliers, (Aquele da regra das 10 mil horas) com os estudos do psicólogo Anders Ericsson, sobre como as pessoas adquirem expertise.

Um das coisas que mais me chamou a atenção foi o que hoje para você se classificar para a Maratona de Boston você precisa correr o equivalente ao de atletas das primeiras Olimpíadas. Em todas as olimpíadas quebramos recordes e em todos os campos parece que alcançamos mais em menos tempo. As pessoas aprendem mais, mais rapidamente e os humanos do futuro poderão ser mais rápidos que Bolt ou Phelps.

 

E os celeiro de Talentos?

Sabe aquela ideia de que muitos talentos vem do mesmo lugar?

  • O Barcelona é um celeiro de craques
  • O Vale do Silício é um celeiro de startups
  • A China é um celeiro de jogadores de ping-pong
  • e por aí vai…

Não é mágica. Cada um desses lugares tem um monte de pessoas (doravante mentores) com expertise pra que os ingressantes consigam apreender os truques para se tornarem melhores mais rapidamente e também possuem os recursos pra que as pessoas se desenvolvam.

Você pode aprender muita coisa sozinho, mas o feedback é super importante. Uma coisa boa de aprender programação é que no começo você pode evoluir muito rápido sozinho, afinal você escreve o software e na hora sabe se ele funcionou ou não. Rapidamente você vai aprendendo o que funciona e o que não funciona.

Claro que uma hora você vai precisar aprender formas mais fáceis e rápidas de programar. Trabalhando com outras pessoas você vai evoluir muito mais rápido. Por isso que em equipes que usam Code Review os programadores menos experientes evoluem melhor. Mesma coisa para quem contribui em projetos open source. Não necessariamente o mentor é um mentor de fato, mas alguém ou ferramenta que te mostre onde você errou e qual o melhor jeito de se fazer o certo.

mentor do he-man

Na história de hoje você aprendeu porque apesar de um monte de gente jogar bola todo dia nem todas viram o Ronaldinho (não pude evitar!!!)

 

¹ Essa referência não é minha, li uma vez em algum lugar que não consegui encontrar…não sei se foi em um livro, talvez tenha sido no Lean Startup, já que cito em todos os meus posts, huahuahua

O que aprendi gerenciando 3 produtos em 2016

Há exatamente um ano eu fiz um balanço sobre como foi o meu 2015 e como saí de uma fase de total esgotamento para a empolgação com uma empresa que estava nascendo. Atendendo a pedidos (Meu pai queria ler a continuação, huahuahua) resolvi contar de forma breve(?) como foi esse ano pra mim, pra minha carreira e o que aprendi gerenciando 3 produtos diferentes na mesma empresa.

Sobre os Desafios e Conquistas:

No ano passado(2015), consegui entregar o LegalNote. Começou pequeno, como deveria ser, afinal era só um MVP e precisávamos validar se existia mercado pra ele, se os advogados teriam interesse em um produto minimalista para controle de processos. Diversas vezes aplicamos os brilhantes métodos do Lean Startup do Eric Ries e quando se fala de Lean Startup necessariamente se fala do ciclo Build – Measure – Learn (tradução livre: Construir – Medir – Aprender)

Rapidamente aprendemos que nossos clientes precisavam que nós expandíssemos nossos robôs (doravante crawlers) para todos os tribunais do Brasil e todos os diários oficiais.

Como missão dada é missão cumprida, começamos o ano com a difícil tarefa de expandir nossos horizontes sobre fontes de informação pública. Se você já precisou algum dia buscar qualquer coisa que seja em um órgão público deve ter xingado o site algumas vezes. Pois é, o desafio de acessar sites do governo para estruturar e dar inteligência àquelas informações, tentar buscar padrões, trabalhar com dados nada estruturados é uma dor de cabeça. Se você quer que as coisas fiquem fáceis para o seu cliente, elas terão que ser difíceis pra você. Muitas partes em movimento, sites que podem mudar de uma hora pra outra e quebrar o seu crawler, mudança de padrões que podem quebrar seus RegEx, etc… Mas conseguimos. Nossa primeira fase de expansão sobre tribunais e diários oficiais foi um sucesso…

Mas com grandes poderes vem grandes responsabilidades. Ao longo desses anos trabalhando com startups me aprimorei em uma técnica pra atrair clientes com SEO. Usei pela primeira vez em 2013 e naquela época conseguimos alcançar clientes sem verba de marketing. Agora em 2016 usamos a mesma técnica e o resultado veio muito rápido. Muitos clientes e muitos processos.  Para vocês terem uma ideia, essa é a imagem que foi postada no Blog do LegalNote com os números da empresa em 2016:

O que aprendi gerenciando 3 produtos em 2016 - Fernando Alves

E pra todo número grande que você vê aí, tivemos um desafio de infra-estrutura. Desafios de escalabilidade, provisionamento de instâncias, controle e gerenciamento de filas, performance de banco de dados, monitoramento, performance de buscas, milhões de tasks, alta carga de emails e mais…

O bom é que todo problema traz consigo uma oportunidade pra aprender. Aprendi muito esse ano, muito mesmo, muito sobre performance, sobre escalabilidade, sobre AWS e principalmente sobre gerenciamento. Quando você é um chefe muito técnico existe uma grande possibilidade de você focar em desenvolver, afinal você é um cara mão-na-massa, mas na maioria das vezes isso não é o melhor pra você, nem para sua empresa. Você como gestor precisa o tempo todo facilitar para que as pessoas ao seu redor se desenvolvam. E o grupo sempre vai chegar mais longe que você, não importa quão bom você seja. Você precisa usar o seu conhecimento para alavancar a produtividade e o conhecimento das outras pessoas. Elas precisam melhorar o tempo todo e você também (Por isso fiquei emocionado ao ver a retrospectiva de final de ano de um cara brilhante que trabalha com a gente e ter lido a retrospectiva dele do ano passado)

Facilitar para que as pessoas se desenvolvam envolve:

  • Aumentar gradualmente o desafio que elas devem resolver
  • Estar disponível para conversar e tirar dúvidas
  • Se livrar dos impedimentos
  • Ouvir muito
  • etc

Só o que tenho aprendido como gestor dá mais alguns posts que prometo escrever esse ano.

Voltando ao ciclo, junto ao crescimento do LegalNote nós lançamos o Diligeiro. Primeiro a API ficou pronta, depois veio o lançamento do aplicativo Android, do WebApp e no segundo semestre lançamos o app para iOS

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Almoço de lançamento do Diligeiro para iOS

Produto diferente, desafios diferentes. Logo aprendemos que os usuários queriam um chat in-app. Que foi a primeira feature a ser desenvolvida com o app já em funcionamento. Ficou tão legal, que outro dia mostrando para um pessoal no DevBeers tive que ouvir um “que é isso? é o Whatsapp?”

E foi através do Diligeiro que tive uma das minhas experiências mais gostosas como empreendedor. Há alguns meses precisei ir para Belo Horizonte participar de uma audiência. E conhecem aquela frase americana: Eat your own dog food, então a advogada que ia participar da audiência comigo na cidade foi contratada pelo aplicativo. Tudo correu bem, fomos à audiência e depois de sair do fórum a advogada me disse que estava praticamente só trabalhando como correspondente e utilizava o Diligeiro pra trabalhar. ( Explicando sucintamente: O Diligeiro é o Uber pra correspondentes jurídicos). Um mês depois recebi a decisão do Juiz através do LegalNote. Viagem completa dentro dos produtos da própria empresa, levantei comemorei, todo mundo bateu palma e a sensação que eu tive foi de uma vitória muito grande. E o diligeiro tem novidades por aí…

Caramba, ainda não parei de escrever…mas vamos lá. Dezenas de Milhares de pessoas físicas começaram a querer usar nossa ferramenta para advogados! Então porque não dar a essas pessoas o que elas querem?

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Assim começamos a desenvolver um novo produto e lançamos agora no final do ano. É o SeuProcesso.com. Um court monitor para pessoa física.

Nossa corujinha

Ano que vem vocês ouvirão eu falar muito mais sobre o SeuProcesso.com

E como nem só de trabalho viverá o homem, pessoalmente esse ano foi incrível pra mim. Fiz o meu primeiro mergulho e foi uma das experiências mais extraordinárias que já tive. Viajei sozinho, fiz longas trilhas só ouvindo a natureza, fui em muitos parques, nadei, cantei, dormi, chorei. Li um livro que mudou minha vida (The Will Power Instinct) pq foi através dele que comecei a praticar meditação diariamente e o simples fato de sentar e respirar me deixa mais tranquilo, mais consciente de como estou me sentindo e olha que a vida inteira eu achava que isso era bullshit, só tentei dar uma chance ao HeadSpace pra começar a gostar e sentir diferença na minha vida. E o principal de tudo…foi o ano do Guanciale

Muito obrigado, 2017 tem mais!

2o Hangout Empreendedorismo Python Brasil

O pessoal do grupo Python Brasil está começando a fazer hangouts semanais pra falar sobre Python e Empreendedorismo e hoje participei do 2o Hangout. Falei um pouco sobre minha experiência e tentei falar alguma coisa sobre a importância do programador também ser um empreendedor.

Tentei falar, porque eu não tinha planejado o que falaria, só rabisquei alguns tópicos no caderno, mas aqui no blog eu posso detalhar um pouco o que eu pensei e colocar uns links também.

Esqueci de citar um dos links principais que gostaria, que é o curso How to Start a Startup do Sam Altman, CEO do YCombinator

Vídeo da Apresentação:

 

Curso

Notícias

Links dos Projetos

Podcasts

Livros

Outros Links

Bônus

De esgotado a empolgado. O que deu certo aceitando um desafio em 2015

“Não será fácil. Mas você já fez coisas difíceis antes.” *

Depois de 10 semanas no vale do silício conversando com investidores, programadores e empreendedores de tecnologia, percebi que o produto que tinha me dedicado por mais de um ano não fazia mais sentido pra mim.

eeeee. nope!

 

Comecei 2015 exausto. Depois de vários anos empreendendo estava me perguntando se era hora de prestar um concurso público ou trabalhar “na minha”.

Pensei em desistir de empreender, pensei em como é difícil tirar algo do papel e sabia que se quisesse empreender teria que passar por várias etapas pelas quais já tinha passado algumas vezes nos últimos anos. Mas as vezes não adianta querer fugir, e o que foi uma simples conversa informal que tive com o Dr Antônio Maia no EC14 acabou se transformando num convite para ser sócio de uma empresa com ideias bastante ambiciosas para transformar a área jurídica no Brasil. As ideias eram excitantes e boas demais para serem preteridas e resolvi então abraçar mais um desafio como CTO de uma empresa de Legal Tech.

Studying law. making a responsible choice for my future

Quem já foi CTO no início de uma startup sabe como é difícil você dar os primeiros passos. Estudar as necessidades de um mercado que não é o seu, planejar as estruturas, começar a escrever o código e o principal e mais difícil: Montar um time de excelência.

Não tem todo mundo, mas tem bastante gente

Não tem todo mundo, mas tem bastante gente

Existe um provérbio grego que diz que O início é metade de qualquer ação. Acho essa metáfora linda, pois não é pra tanto, mas mesmo assim começamos do zero na última semana de fevereiro/15 com uma única posição dentro de um escritório de advocacia e estamos terminando o ano com um conjunto inteiro na Av. Paulista, um time lindo de desenvolvimento, um stande e  apresentação na maior feira da nossa área, com um produto lançado, o LegalNote, crescendo rapidamente com mais de mil usuários cadastrados e milhares de processos e com o nosso outro produto o Diligeiro correndo na fase final de desenvolvimento.

Trabalhamos até a véspera da véspera de ano novo, empolgados por todas essas conquistas que não foram fáceis e eu tenho a certeza de que daqui pra frente tudo continuará sendo difícil, mas nós podemos olhar pra trás e ver que já fizemos coisas difíceis antes.

Muito obrigado à todos! Um excelente 2016!

Um obrigado especial a todos que trabalham duro comigo:

Chuckeeey
Daniel , o mago das regex
Derek Oedenkoven
Dr Antonio Maia
Dr Fabio Abrahao
Gui AMS
Marcus Beckenkamp
Vitão Jar Jar
Gustavo UX
Rafael, o lendário!
Muller #Zueiro
* Li essa frase em algum lugar essa semana e achei fantástica.

E quando uma empresa gigante resolve virar sua concorrente?

Você cria um produto, vira pioneiro em uma área, corre todos os riscos e fica cheio de incertezas, tanto suas, quanto dos clientes confrontados com “A novidade.”

Imagine que nesse cenário, um pequeno grupo abraça aquilo que você fez, ama o seu projeto e você conseguiu criar algo dentro de uma comunidade.

De repente, o gigante acordou, imagine um gigante mesmo, a própria Apple. E ela aprova sua ideia. Aprova tanto que resolve criar uma versão própria do seu produto.

Agora a Apple é sua concorrente!

Steve Jobs - Doctor Evil

E aí, senta e chora?


Isso aqui não é uma anedota, é um caso verídico.

Os criadores do smartwatch Pebble já passaram por vários perrengues, foram acelerados pela YCombinator, o projeto não foi pra frente, não conseguiram levantar capital porque eram uma empresa de Hardware, depois concluíram com sucesso uma campanha no kickstarter e por fim foram lançando e evoluindo o Pebble, tudo a partir da ideia do Eric Migicovsky de criar um display de relógio que mostrasse as notificações do celular.

Bom, imagine a cabeça desse cara quando o Google resolveu lançar o próprio smartwatch e quando a Apple resolveu lançar o Apple Watch.

Agora imagina como ele se sente, vendo que um concorrente desse tamanho, um gigante, está mais abrindo mercado para eles do que prejudicando.

E pode ser que um dia o Pebble se torne tão grande e vire realmente um competidor do Apple Watch. Quem sabe…

 

Por quê estou falando tudo isso?

Porque com o lançamento do Apple Watch muita gente que não tinha ideia do que era um SmartWatch acabou descobrindo o que é isso e, independente de descobrir através da Apple, puderam também se interessar e ir atrás de outros modelos, conhecendo o Pebble, que Dobrou suas vendas!

Veja: Aparentemente Apple Watch ajudou a DOBRAR as vendas do Pebble

 

Me inspirei pra escrever no post do Diogo Novaes no facebook. Aliás, um cara que vale muito a pena seguir.

Um pequeno prazer de uma startup que não deu certo.

 

Quem nunca teve uma empresa que não deu certo, que atire a primeira pedra.

Sempre gostei de empreendedorismo. Eu gostava de ler matérias sobre empresas, gostava de ir nas empresas dos meus pais e gostava dos filmes dos anos 80 estilo Jerry Maguire. Minha família sempre foi empreendedora. Meu pai teve de loja de material de aquarismo até distribuidora de salgadinho de bar, meu tio construiu a maior rede de salões de beleza da zona norte e até hoje não se passa uma semana sem que minha mãe me fale uma ideia nova que ela teve (Se eu publicar alguma, ela me mata). O fato é que o empreendedorismo está no meu sangue.

No final de 2011, eu e meu amigo Daniel resolvemos montar uma startup. Na ocasião eu tinha um site que revendia instrumentos musicais. Nada muito formal, mas era uma escola pra mim. Estava ganhando dinheiro, me mantendo, tive a oportunidade de largar um emprego público e fazer mais dinheiro em casa de cueca do que indo perfumado até o prédio da FEA. Falar sobre a Apoio Musical levaria até mais de um post sobre os 2 anos que eu a mantive no ar e ela me manteve.

Bom, montamos essa startup porque estávamos vidrados em Crowdsourcing. Queríamos muito, que o crowdsourcing fosse um jeito de dar às empresas a oportunidade de gastar pouco pra ter ideias de qualidade e de dar às pessoas a oportunidade de trabalhar em projetos de grandes empresa, mostrando seu potencial.

 

O primeiro problema que enfrentaríamos era o do ovo e o da galinha: como teríamos empresas sem ter pessoas interessadas em anunciar e como teríamos pessoas pra participar dos desafios sem ter empresas com desafios?

Enfim, resolvemos começar buscando às pessoas. (O que hoje eu acredito que não foi a melhor estratégia).

Pra alcançar essas pessoas nós resolvemos criar um Desafio com Ideias que pudessem melhorar a cidade de São Paulo. Chamamos isso de Desafio São Paulo.

Criamos um aplicativo para o facebook pra poder receber as ideias, já que ainda não tínhamos uma plataforma criada e não me lembro como alguém gostou do desafio e ele foi parar no Catraca Livre.

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Isso foi o suficiente pra várias pessoas entrarem no Desafio. Nisso tivemos um outro problema: Como escolher qual ideia é a melhor? E nisso, a CAOS Focado que é uma empresa de consultoria nos ajudou criando um método objetivo pra definir quais eram as melhores ideias (eu deveria ter filmado pra mostrar quão genial foi o Miguel Chaves resolvendo isso pra gente).

A startup como você já previu no começo do texto, escafedeu-se, fizemos o desafio, não conseguimos fechar com nenhuma outra empresa um desafio sequer, apesar de negociar durante meses com uma empresa grande da área de turismo. Então o que eu estou comemorando aqui como um pequeno prazer? Olhe as ideias escolhidas como as melhores para São Paulo no nosso desafio e pense no que mudou em São Paulo de 2012 para 2015.

  • Ciclo Faixas com acesso a CPTM nas marginais
  • Menos vagas de rua para carros
  • Ruas de lazer aos domingos
  • Transporte Coletivo 24 horas
  • WiFi gratuito em locais públicos

Isso tudo começou a mudar em São Paulo e vai continuar mudando porque agora já é tendência. Se quiser ter certeza, confere meu post original de quando eu publiquei o desafio em março de 2012:

 

http://blog.ideiasnamesa.com.br/desfile-das-campeas-desafio-sao-paulo/